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BRICOLAGE
Quem
se importa com a arte indígena? O que aconteceu conosco nestes
500 anos? Onde se encontra nossa memória que necessita ser evocada,
pois é somente através dela que podemos reconstruir nossa
identidade.
Esses problemas fundantes trazem a necessidade da recuperação
do contexto sagrado de nossa tradição, de nossa sociedade
e do encontro de nós mesmos. A recuperação da arte
indígena tem essa intenção. Diferentemente do que
a maioria imagina, ela é extremamente complexa, pois é significada
através da cosmogonia, ou seja, ela é sagrada.
Acredito numa postura de reverência para podermos assimilar a nossa
diversidade cultural, tão obliterada. Assim, para mim, toda a arte
é sagrada. Tal como os rituais; as forças telúricas
juntamente com as espirituais são expressão do êxtase
religioso para que ocorra a vivificação do mito; a arte
necessita dessa sacralização como possibilidade de retorno
à humanização.
Diante de um mundo dessacralizado tento através da releitura de
nossas origens trazer uma interpretação através da
luminosidade de nossas pedras (semi e preciosas) juntamente com a cultura
indígena, o resgate de nossa identidade. Assim, a minha arte é
fruto de um êxtase religioso. Diante do contato com o brilho das
pedras que me leva a uma ligação com o belo absoluto e a
força da cultura indígena que sobreviveu a 500 anos de conquista,
acredito que estamos condenados ao sagrado.
Conheça algumas obras da
Artista
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