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A Imagem Católica: luta pela Preservação do Belo
por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara



O cinema foi e é considerado uma ameaça se não for bem direcionado, nesse sentido, a missão da Igreja seria de reorientar as suas imagens para fins educativos pois a Encíclica reconhece que ele representa une véritable école populaire..., qui pourrait projeter sur la vie une lumière de vérité; assurer les bases de la famille; soutenir la cause de la justice; faire oeuvre de saine éducation: illustrer les gloires de tous les peuples; favoriser une mailleure connaissance réciproque des classes sociales et des notions; collaborer enfin à élaboration et à l'établissement du futur et meilleur statut de l´humanité.

Quando analisamos a Encíclica Miranda Prorsus (1957), de Pio XII, esta clama a necessidade de se utilizar os meio de comunicação de massa, principalmente o cinema, para a divulgação da fé mas, ao mesmo tempo alerta para os malefícios de sua imagem, pois estas, estão sendo mal direcionadas.

As duas Encíclicas tem a intenção de tutelar seus fiéis e controlar a produção cinematográfica, através da censura à indústria cinematográfica, com as seguintes preceitos:

1-Convocação dos quadros da Igreja para formação de uma cultura cinematográfica católica reconhecendo seu verdadeiro valor de divulgadores da fé católica.

2- A necessidade de formar e educar o público, pois esse, não possuía esclarecimento suficiente para julgar o verdadeiro do falso.

3- O incentivo à criação das Oficinas Nacionais de Cinema e Cineclubes cinematográficos católicos.

4- Classificação moral das fitas cinematográficas com a função de orientação e educação para a preservação da cultura católica.

5- A necessidade de realizar, apoiar e divulgar os filmes que realmente representam os valores cristãos.

Assim, fundamentado ainda em Pio XI, Pio XII clama pelo filme ideal sem mostrar nenhuma grande novidade em relação a seu precedente. Ainda que, que houvesse mais de um século de convivência com o cinema, a postura da Igreja permanece sendo a de cautela e censura.

Neste interregno, de 1936 até 1957, o cinema já estava consolidado como indústria cinematográfica e tinha passado por várias etapas de sua história. Havia uma divisão muito clara entre o cinema hollywoodiano e o cinema europeu, principalmente o francês e o italiano. Escolas de cinema marcavam a linguagem cinematográfica e sua discussão sobre a estética. No entanto, a Igreja Católica permanece estagnada em relação a seu acesso lingüístico imagético devido ao seu conceito de imagem que define o seu conceito de belo, associando-o ao bom e ao verdadeiro. Em razão dessa visão de arte ela permanece excluída das grandes questões e críticas cinematográficas. Classifica a imagem veiculada pelos meios de comunicação social como desvinculadas dos postulados católicos, divulgando e alimentando ilusões, fantasias e quimeras que jamais poderão ser realizadas, por isso ela é ficção. Nesse momento, a imagem católica é aquela que não é falsificadora da realidade que nos é dada na ordo naturae .Vale lembrar aqui a citação de Male sobre o conceito de imagem da Idade Média e sua semelhança com o citado acima, o monde est un symbole. L'univers est une pensée que Dieu portait en Lui, au connescement, comme l'artiste porte dans son âme l' idée de son oeuvre. Le monde peut donc se définit: une idée de Dieu réalisée par le Verbe. Le monde moral et le mond sensible ne font qu' un.

O sentido de ordem natural define a imagem católica através da doutrina do fundamento trinitário sobre os três chefes, da homonímia, da mimese e do tratado que remete respectivamente ao Espírito Santo, ao Filho e ao Pai. A imagem católica como a transfiguração do visível necessita que achemos o termo que opera a passagem do olhar carregado com os olhos da carne para os olhos do espírito. Pois quem refuta a imagem refuta a encarnação. É a transubstanciação do Verbo para a humanidade, pois foi o sopro do Espírito Santo que fecundou Maria. O Verbo se fez carne e a imagem da transubstanciação.O modelo principal da relação consubstancial faz para sempre da imagem uma figura do sentido. O Filho e o Pai têm por toda a eternidade uma relação natural e real onde se define a idéia de imagem natural .

Nesse sentido, a imagem católica será portanto a imagem da ordo naturae do pensamento humano. O pensamento católico está fundamentado substancialmente no transubstanciação da carne. Nesse momento, a imagem, necessariamente, esta relacionada ao Bem, a Verdade e conseqüentemente ao Belo.

Toda a censura cinematográfica católica, desde os seus primórdios até o nossos dias, opera com essa chave simbólica que define e identifica o pensamento católico. Por mais que varie o seu discurso em relação a imagem, e no nosso caso , a imagem cinematográfica, ela estará sempre respaldada nesse núcleo imaginário - a imagem carregada do sentido da transubstanciação da carne para o espírito definindo toda a ética-moral católica e conseqüentemente a identidade católica.

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