Universidade de São Paulo Faculdade de Engenharia de Sorocaba Banco Credibel S/A
 
Sobre o Labi Arte e Imagem Contato Agenda Cidadania e Movimentos Sociais Links Artigos e Publicações
Artigos e Publicações

Western paradigma da ética protestante - visão incompreendida da Igreja Católica
por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara



Abstract

Abstract

Este trabalho tem como objetivo apresentar através do paradigma do cinema americano, especificamente o gênero western, a postura da Igreja Católica frente a este primeiro veículo de comunicação de massa.

Para tal empreitada fiz uma análise interdisciplinar com a intenção de traçar o imaginário católico através das estratégicas de atuação contra o cinema americano. A postura católica sempre foi censora, no entanto, dentro de um país onde a hegemonia religiosa é protestaante como a Igreja Católica Apostólica Romana irá atuar?

É a resposta a esta pergunta que tento responder neste trabalho.

O cinema, desde a sua aparição, causou uma mudança de olhar tanto em termos artísticos quanto comportamental. É a primeira vez que a fotografia movimenta-se recriando a história. Diante dessa nova visão as histórias populares deixam as estantes e passam a povoar as telas. A enunciação cinematográfica torna-se o elemento chave para identificação do público com o roteiro, tornando o cinema um ritual profano povoado por mitos efêmeros..

Frente a este fenômeno de comunicação de massa a Igreja Católica bradou a sua mais impotente voz. A sua primeira atitude, como bem caracteriza essa instituição, foi a censura. Frente a representações profanas e atitudes imorais divulgadas pelo cinema era necessário tomar providências drásticas-proibir este tipo de manifestação.

Mas qual foi o modelo de censura em que a Igreja Católica se baseou? Não era mais o tempo da Inquisição, ela não tinha mais o monopólio da imagem como na Alta Idade Média e muito menos a hegemonia religiosa(1). No entanto, o esquemata(2) utilizado foi o Índex Librorium Prohibitum, ou seja, o mesmo modelo de censura utlizado pela Igreja, promulgado em 1556, para tirar de circulação livros considerados imoral. O imprensa significou a perda do monopólio tanto da palavra quanto da imagem e com o advento do cinema a Igreja fica impotente diante da imagem movimentada. Criando vida fictícias, ditando maneiras de comportamento, criando questionamentos, como atuar frente a esse tipo imagem tão potente e convincente?

Sabedora da força da imagem cinematográfica, a Igreja Católica, tentou refrear, lutou com todas as armas que possuía: a censura escrita - divulgada em todos os seus jornais e revistas, os órgãos institucionais católicos tais como: as Legiões da Decência e o Office Catholique du Cinema; os púlpitos- através dos sermões; a Ação Católica: com as atividades dos leigos católicos, no entanto, todo esse arsenal não foi o suficiente para derrotar o cinema e com ele os ventos da modernidade. Amargou a derrota fechada em seu claustro. Somente em alguns episódios esporádicos houve eficácia.

Declarava que o cinema era fuente de peligro moral. Es tarea de la Iglesia y de los católicos prevenir el mal y preservar de el a las almas,no será menos importante el orientar al cine hacia el logro de aquellos fines a los que están destinados los dones de Dios. Los descubrimientos científicos, en efecto, tienen siempre un valor positivo si se usan rectamente y se los orienta conforme a un sano criterio.(3)

Próxima PáginaÚltima Página


(1) Nesse específico estudo só abordo Hollywoody, portanto, os Estados Unidos da América onde a hegemonia religiosa é a protestante.

(2) Termo utilizado por Gombrich.

(3) CANNALS, Salvador. La Iglesia y el cine. 1965, Madrid, Ediciones Rialp S.ª

 
  Indicar esta página a um amigo

Artigos e Publicações | Links | Cidadanias e Movimentos Sociais | Arte e Imagem | Sobre o Labi
Agenda | Contato | Últimas Novidades | Banco de Dados NIME/LABI