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Cinema, Quantos Demônios!

por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara


 

O primeiro personagem que atuou em prol da formalização de uma política censora contra Hollywood, foi Will Hays (5), através de sua lista Don't and Be Carefuls. Em 1921, ele formou uma central., que foi acoplada à Motion Picture Producers and Distributors of America, (MPPDA). A lista consistia nos seguintes itens:

Don'ts: não permitia: a nudez libertina, tráfico de drogas, escravidão branca, linguagem profana, ofensa deliberada contra a nação, raça, ou credo, ridicularização do clero, cenas de nascimento ou genitália de crianças, higiene sexual, miscigenação, e perversão sexual, brutalidade e cenas horríveis, técnicas de cometer crimes, simpatia pelo criminoso, sedição, venda de mulheres ou a mulher vender as suas virtudes, estupro ou tentativa de estupro, cenas da primeira noite, homem e mulheres deitados juntos na cama, cirurgias, deliberada sedução de garotas, a instituição do casamento, beijos excessivos ou prolongados, principalmente quando realça a intensidade (6)

BE CAREFULS (24), inclui o uso da Bandeira Americana, métodos que ensinam o crime e execuções legais, roubo, trens dinamitados ou roubados, vulgaridade ou a sua sugestão deve ser eliminada, o bom gosto deve ser enfatizado.. (7).

Hays não tinha o apoio oficial do Estado, pois este tipo de atitude violava a democracia americana, mas ele irá buscá-lo no seio da instituição que possuía uma empatia com os seus propósitos; isto é, os católicos, representados por Martin Quigley (1929). (8)

Quigley fica encarregado de formular um novo código moral que pudesse uniformizar toda a censura, juntamente com Fr. Fitz George Dinne, S.J., Fr. Daniel A.Lord, S.J. e Fr. Dinneen, os quais apresentam o código em 31 de março de 1930. Com apoio imediato do público, este passou a ser adotado por toda a indústria cinematográfica. Imediatamente a MPPDA adotou-o, passando a ser conhecido como PRODUCTION CODE.

O documento foi dividido em duas partes:

Refere-se ao código de Hays, ou seja Don'ts and Be Carefuls; a segunda parte denomina-se: Reasons Underlying Particular Applications

"Os filmes como entretenimento ou como arte afetam a vida moral das pessoas, portanto, é preciso ter uma especial obrigação. Três princípios gerais são anunciados:

Nunca o filme pode ser produzido com baixos padrões morais. Se isso ocorrer, conseqüentemente a simpatia da audiência nunca chega a distinguir o lado do crime, a coisa errada, o mal e o pecado;

Padrões corretos de vida, pois somente eles podem ser requeridos como drama e entretenimento

Leis, natural ou humana, não devem ser ridicularizadas, e nem deve haver simpatia pela sua violação.

Como resultado desta adesão do público em 1933, Quigley, Breen (9) , e Parsons (Wilfred Parsons,S.J.,editor do The Jesuit Weekly America) , Magr. Joseph M. Cortrigan (Reitor da Universidade Católica, em Whashington), juntamente com o Delegado Apostólico Cardinal Cicognani criaram Episcopal Committee for Motion Picture, dirigido pelo Arcebispo John T. Macnicholas, de Cincinati.. E na primavera de 1934, foi criada a Legião da Decência ou National Catholic Office for Motion Picture (NCOMP)

O apoio foi de tal monta, que 10.000.000 católicos assinaram a favor da Legião da Decência (10) com a esperança de que ela " tirasse o país desta grande ameaça - da lascívia do cinema". (11)

A campanha da L.D, não se restringiu somente aos católicos, o New York Time também endossou juntamente com The Protestant Federal Council of Churches of Christ in America (cujos membros nessa época contavam com mais de 20 milhões) a The United Presbyterian Assembly, The Massachusetts Civic League, The Christian Endeavour Union, The Oregon Methodist Conference e a National Conference os Christians and Jews. Todos, 24 Associações Protestantes e Organizações Judaicas cooperaram com a L.D. (12). Disto, isto resultou um enorme ecumenismo, pois o apelo ao resgate da tradição da moral americana tornou-se o símbolo chave de todo o discurso censor religioso. A conseqüência desta coalizão quase chegou a levar Paramount Pictures à bancarrota, a levar na primavera de 1934, a RKO e a Universal sofreram grandes intervenções. Deste modo, o boicote da Legião veio em um tempo crítico (13) e teve grande eficácia.

Em julho de 1934, a MPPDA criou a Production Code Administration (PCA) (14) e colocou como administrador Joseph I. Breen. A partir de então cada filme produzido pela MPPDA, teria que ser submetido a supervisão deste Código. O filme que estivesse de acordo com os padrões morais seriam aprovados pelo Code Seal of Approval. Por outro lado, filmes recusado pelo Seal teriam automaticamente recusados os direitos de distribuição pelos membros da MPPDA. Se qualquer membro da MPPAD não obedecesse, pagaria a multa de U$ 25,000. O código foi administrado pelo católico Joseph I. Breen até 1954.

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(5) Willy Hays, antigo membro da Igreja Presbiteriana e um amigo íntimo do Presidente dos Estados Unidos. Op. cit. p.25.

(6) Idem, not.1.,p.31.

(7) Idem,pg.27

(8) Membro do jornal Exhibitor's Herold em 1928 ele adquire o Moving Picture World juntamente com o Exhibitor's forma o Motion Picture Herald.

(9) Joseph I. Breen é responsável pela censura em Hollywood, Los Angeles.

(10) Denominarei a Legião da Decência, a partir de agora de LD.

(11) Banned Films. op.cit.p.42.

(12) O Christian Century, protestante, declarou "Thank God that the Catholic are at last opening up on this foul thing (immoral films) as it deserves! What can we ( Protestants) do to help? In op.cit.p.33.

(13) Os Estados unidos da América ainda estavam vivendo a repercussão da quebra da bolsa em 1929.

(14) Nomearei a partir de agora a Production Code Administration (PCA).

 
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