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Cinema, Quantos Demônios!

por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara


 

Cotação moral: 3C - Prejudicial. (21)

Notamos claramente que a apreciação artística é feita de uma maneira bastante superficial e genérica, sem uma análise mais profunda do filme. No ítem da apreciação moral, os temas proibidos por serem tratados de uma maneira leviana serão quase sempre os mesmos, tais como a questão familiar, o amor representado comumente com cenas de sexo e a pátria.

Várias campanhas foram bem sucedidas, acarretando um prejuízo as indústrias cinematográficas. Cabia a Legião somente condenar os filmes, enquanto que, os grupos civis organizavam as campanhas. Ex: em 1959, a Legião reviu Anatomy of. Murder, produzido por Otto Preminger. O filme foi feito em um estilo documental sobre um estupro acompanhado de assassinato A PCA deu um sinal para o filme, mas o Chicago Police Board o baniu filme obsceno. (22)

Em 1959, Annual Report da Legião declarou:

"A Legião não poderia conscientemente dar para esse filme uma classificação B ou C, Isto não é certamente um filme imoral, no estrito sentido da palavra, nem no tema e muito menos no tratamento.

Mas nós sentimos que temos de informar Hollywood que nós consideramos que certos elementos do filme são totalmente inaceitáveis como entretenimento das massas. Finalmente, a Legião não poderia ignorar o potencial de injustiça que foi cometido contra a Columbia Picture através de represálias econômicas pelo fato de ter condenado o filme. (23)

A publicação da classificação do filme foi feita numa Classificação Separada (Separate Classification): com a seguinte observação: A análise clínica com que o problema central do filme ( estupro) é tão explicitamente detalhado é julgado como excesso para os limites da moral aceitável e principalmente para as massas como entretenimento (24)

Outro filme polêmico, foi Demaged Goods, um filme sobre doença venéria. Em 27 de maio de 1938, a Legião emitiu a classificação A-II, e esse filme não poderia ser distribuído pelas casas comerciais, mas somente usado educacionalmente pela Igreja e grupos Civis. Quando o filme foi distribuído comercialmente, a Legião classificou-o (julho, 15,1938) na categoria C, "por não ser aceitável para exibição geral como entretenimento da Motion Picture" (25)

Conclusão

A Igreja tinha plena consciência de que o cinema tornava pública as cenas privadas. A apresentação de cenas íntimas poderiam representar uma infinidade de metáforas, mas no entanto, a Igreja olharia sob um único foco, o da condenação, pois das imagens seriam retiradas todos os seus artifícios resultando num desencantamento dado por uma única visão.

Temas como a família, a nação, tão decantados pelas imagens cinematográficas, seriam cobertos por um grande manto pela Igreja com a tentativa de preservar aquilo que significava o sustentáculo de sua moral.

Diante da diversidade das imagens apontadas pelo cinema resultando em diferentes olhares, a Igreja não consegue assegurar e portanto monopolizar a visão sacralizada da realidade. A imagem, domínio sagrado da Igreja da alta idade média, tornava-se domínio da sociedade, que através do cinema espelhava a sua mais profana realidade.

MARIA DE LOURDES BELDI DE ALCÂNTARA.

Doutoranda na Universidade de São Paulo, Departamento de Sociologia e Membro do Núcleo Interdisciplinar do Imaginário e Memória (NIME-USP).

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(21) Catálogo Geral de Filmes - Serviço de Informações Cinematográficas, 1960-1961, Rio de Janeiro,p.289.

(22) PHELAN, op.cit.p.52..

(23) Idem, p. 53.

(24) Idem..

(25) Phelan, John Martin Rev. op. cit. p. 48.

 
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