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O Conceito de Cultura Popular na visão da Teologia da Libertação

por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara


 

A primeira nação européia que conseguiu organizar essa penetração de grupos mercantilistas, em torno da embocadura do rio e nas regiões vizinhas, foi a França, que, sob o comando do senhor de La Ravadière, articulou o projeto da formação de França Equinocial ou Transatlântica e conseguiu fundar a cidade de São Luís do Maranhão, 1612, reunindo mercantilistas aí estabelecidos desde 1594.

Em 1626, o rei de Portugal toma posse legitimando suas terras, através da nomeação do governador e capitão do rio Amazonas, Bento Maciel Parente. Em 1750, o Estado Português assegura a posse através da lei Uti Possideetis: aqueles que conseguem ocupar uma região são considerados donos legítimos dela.

O rio Amazonas é navegável em toda a sua extensão, da mesma forma que longos trechos dos seus principais afluentes, a extensão navegável, interligada ultrapassa os 25 mil kl. A sua ocupação até os meados do século XX foi exclusivamente ao longo dos rios.

Até nossos dias a floresta amazônica e seus habitantes são permeados de um imaginário fantástico não mais da posse que caracteriza o processo de nomeação e renomeação, mas o maravilhamento através do "mito" da ecologia, que vem com a assertiva de que precisamos salvar a maior floresta do mundo, e com isto todos os adjetivos que nos remetem a uma crítica às sociedades urbanas e de massa. O índio e a natureza são os símbolos-chave novamente privilegiados, só que desta vez adjetivados como: paraíso terrestre, celeiro do mundo, pulmão do mundo; os índios como os povos verdadeiramente brasileiros, com uma sabedoria incontestável. As imagens são construídas através de um imaginário que ressalta a grande importância deste espaço, que torna-se uma paisagem, que é redesenhada em cada momento histórico(5).

A presença religiosa

Jesuítas

Os jesuítas entraram no Maranhão antes dos Capuchinhos que participaram da sua fundação em 1612(6). A intenção seria a de aspiração de um império religioso que começava a ser realidade no Paraguai.

A presença dos jesuítas na Amazônia inicia-se em 1636 quando Luís de Figueira, vindo do Maranhão, chegou à Belém e deu início ao trabalho missionário, percorrendo os rios Tocantins, o Pacajá e o baixo Xingu. Em 1637 retorna a Portugal e publica o livro Memorial sobre as terras e gentes do Maranhão, Grão-Pará e o rio Amazonas.

A história das missões jesuíticas na Amazônia pode ser dividida em três fases:

  1. tentativas de implantação de um sistema de missões no Maranhão e na Amazônia, à semelhança do que vinha fazendo, desde 1549, a Companhia de Jesus no sul do Brasil. Esta fase inicia-se com a expedição dos padres Francisco Pinto e Luís de Figueira à Serra do Ibiapaba (1607) e termina com a morte de Figueira e de seus companheiros mão dos índios Aruande Marajó (1643).

  2. presença política e ideológica do Pe. Antônio Vieira de 1652 a 1662, quando os jesuítas são expulsos pela primeira vez do estado do Maranhão. Entre os anos de 1660 e 1680, há um período de concessões e acomodações, findo o qual os padres da Companhia de Jesus são expulsos novamente, no curso da rebelião liderada por Beckman (1684).

  3. ocorre entre a volta dos jesuítas ao Maranhão (1685) e o processo final de expulsão da Companhia de Jesus do Estado do Maranhão e do Brasil, pelo governo de Pombal, em 1759.

A presença permanente de jesuítas na Amazônia inicia-se em 1653 com a ida dos padres João de Souto Maior e Gaspar Fragoso, enviados do Maranhão pelo padre Antônio Vieira.

Franciscanos

Os franciscanos acompanham a expedição de Jerônimo de Albuquerque para a conquista do Maranhão e estão desde 1617 em Belém, onde se instalam no sítio Una. Os franciscanos de Santo Antônio foram os primeiros a chegar à Amazônia. Em 1617 havia quatro missionários dessa ordem estabelecidos em Belém: Frei Antônio de Merciana, Frei Cristóvão de São José, Frei Sebastião do Rosário e Frei Felipe de São Boaventura.

Carmelitas

Os carmelitas estão desde 1615 em São Luís e a partir de 1626 em Belém, onde constroem um convento em 1626. A prioridade da Companhia de Jesus no rio Negro, jesuíta, foi superada pela presença das missões carmelitas nessa área, trecho que lhes coube na repartição da Amazônia entre as principais ordens religiosas missionárias, em fins do séc. XVII. A atuação dos religiosos carmelitas estava localizada no extremo norte, mais precisamente no rio Negro e Solimões. Tudo começa pela Nova repartição das missões, documento régio enviado ao governador do Maranhão no dia 19 de março de 1693, segundo o qual "tudo que fica para o sul do rio Amazonas é repartido para os jesuítas, enquanto as bandas do norte do rio ficam para os demais religiosos que têm convento no Pará: os mercedários, franciscanos de Santo Antônio, franciscanos de Piedade e carmelitas(7). O ciclo missionário carmelitano na Amazônia vai desde 1693 até 1755

Os Mercedários

Os mercedários estão em Belém desde 1639/40. A Ordem de Nossa Senhora dos Mercês é uma congregação religiosa de origem espanhola, que se encontrava em atividade no vice-reino do Peru desde o séc. XVI. Quando o Capitão-mor, do Pará, Pedro Teixeira, esteve em Quito, em 1639 trouxe com ele o frei Afonso de Armijo, Frei Pedro de la Rua Cirne e os irmãos leigos João de Mercê e Diogo da Conceição.

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(5) Referências tiradas do exame de Qualificação de Magali Franco Bueno. Representação do espaço e identidade na Amazônia brasileira: estudo de caso. Universidade de São Paulo, Departamento de Geografia, 1997.

(6) Sabe-se que os franciscanos Luís Figueira e Francisco Pinto, fizeram por terra, ao longo do ano de 1607, o mesmo roteiro que, no século anterior, haviam feito os índios Caeté (Tupinambá, que abandonaram o litoral. CEHILA. História da Igreja na Amazônia. Vozes, 1992:63, São Paulo.

(7) CEHILA. História da Igreja na Amazônia. Vozes, 1992. O Estado Português que dividia o território.

 
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