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O Conceito de Cultura Popular na visão da Teologia da Libertação

por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara


 

Com este material, a Teologia da Libertação irá trabalhar a mistura de imagens tanto da colonização quanto dos dias de hoje. Este tempo mítico justifica e legitima todo o discurso e a imagem deste tipo de Teologia.

Assim os índios juntamente com a natureza representam a pureza, a verdadeira fé, a ingenuidade, a harmonia. Quando da chegada dos colonizadores este mundo idílico, paradisíaco ( como nos tempos dos navegantes) passa a ser dizimado. Os índios juntamente com as suas terras passam a ser exterminados e toda a simbologia do mal vai reinando. Uma óbvia inversão de sinais, até chegarmos ao capitalismo onde o lúpem do proletariado está representado por esses mesmos índios decorrentes dos quinhentos anos de colonização e portanto de dizimação . As imagens apresentam a destruição total, tanto da natureza quanto dos índios; relatos deste cenário são apresentados, essa "nova" Igreja passa a dar a voz aos oprimidos.

O filme apresenta estes personagens não como sujeitos mas como exemplos de que, agora, a verdadeira Igreja voltou para o seu verdadeiro caminho, olhando e tutelando seus fiéis, antes esquecidos, inexistentes, vinculados com o demônio, representantes da barbárie juntamente com um meio ambiente que, ao mesmo tempo, representava um paraíso e um inferno e que agora está associado ao discurso ambientalista, ao paraíso ecológico. Assim habitantes e meio-ambiente são elementos essenciais para a construção do discurso da teologia da libertação.

Para finalizar apresentaremos um exemplo de como a teologia da libertação se apropria das manifestações populares para a construção de seu mais importante ritual, a liturgia nos moldes do nacional-popular. Como bem coloca Chauí (1984:58): o nacional-popular, assim construído, é amplo o suficiente para comportar tanto aquelas retomadas efetuadas pelos intelectuais de certos conteúdos da cultura popular e nela inseminando traços de universalização quanto de manifestações que expressam a média de várias culturas regionais e possam, assim, adquirir a característica nacional.

Dentro deste esquema a mitologia indígena brasileira é recuperada com a intenção política de dar voz aos "desvalidos", "oprimidos". Podemos concluir então, que a cultura brasileira, representada pelo índio e negro é sinônimo de opressão que começa com o colonialismo e vai até os nossos dias. Cabe à teologia da libertação atribuir a estes personagens o seu papel na "história".

Missa da Terra sem males

Abertura

Todos - em nome do pai de todos os povos, Maíra de tudo,
Em nome do Filho,
que a todos os homens nos fez irmãos,
No sangue mesclado de todos os sangues.
Em nome da aliança da Libertação.
Em nome da Luz de toda a cultura. Em nome do amor que está em todo amor.
Em nome da Terra- sem- males,
perdida no lucro, ganhada na dor, em nome da Morte vencida, em nome da Vida, cantamos, Senhor!

Comunhão

Todos - celebrando a Páscoa do senhor,
catemos a vitória
de toda a humanidade.
Tribos de toda a terra,
Povos de toda a idade.
Na carne do senhor
revive toda a carne
Por isso comungamos toda a Luta.
Por isso comungamos todo o sangue.
Por isso comungamos toda a busca,
de uma Terra-sem-Males.
Libertemos o primeiro cativeiro,
cantamos a passagem,
cantando atravessamos
novo Mar Vermelho do teu Sangue.
Cantamos comungamos
o Pão da Liberdade.
Cantando repartimos
o Vinho da Irmandade.
cantando caminhamos à procura
de uma terra-sem-males
Celebrando a Páscoa do Senhor ....
Compromisso Final

(...) Todos
Unidos na Memória
da Páscoa do Senhor,
voltamos para a História
com um dever maior.
Unidos na memória
da antiga escravidão,
juramos a Vitória
na nova servidão
América, ameríndia, ainda Paixão:
um dia tua morte
terá ressurreição!
A Páscoa que comemos
nos nutre de porvir.
Seremos nós teus povos
o povo que há de vir.
Os pobres desta Terra
queremos invertar, essa Terra-sem-males
que vem em cada manhã. Uirás sempre à procura
da Terra que virá...
Maíra, nas origens.
No fim, Mara-tha

Assim, o imaginário católico da teologia da Libertação recupera e incorpora em seu discurso elementos que identifiquem, que o regionalizem com os diversos países da América Latina e Central sempre utilizando-se dos símbolos da cultura popular como alegoria para que haja esta identificação. Com a clara intenção política e econômica de não perder o seu poder tanto telúrico quanto espiritual.

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