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Artigos
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A Amazônia Brasileira no Discurso 1930-1945 por Marcia Maria Cabreira |
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Esse
artigo é fruto da dissertação de mestrado
apresentada ao Departamento de Geografia da Universidade
de São Paulo, em 1996. Neste trabalho, cujo título
é VARGAS E O REARRANJO ESPACIAL DO BRASIL:
A AMAZÔNIA BRASILEIRA-UM ESTUDO DE CASO, fez-se
uma pesquisa com o intuito de analisar as políticas
públicas elaboradas ao longo do primeiro governo
Vargas (1930-1945) para a região Amazônica.
Com esse objetivo também foi analisado o importante
papel que a Geografia adquiriu neste período, servindo
de fonte preciosa de organização de dados
para o conhecimento do território e para formulação
de estratégias de gestão do espaço
nacional. A
finalidade deste artigo é de iniciar uma análise
sobre as conseqüências dessas transformações
sob a ótica da Geografia, na qual o rearranjo espacial
brasileiro, mais especificamente da região Amazônica,
se coloca como ponto central desse trabalho. Talvez
o primeiro passo seja definir o que vem a ser a Amazônia.
O Extremo-Norte, como é tratada a região
na literatura da época, compreendia os estados do
Pará e Amazonas e o território do Acre. Esta
denominação traz em si a noção
do que se pensava sobre área naquele tempo, ou seja,
uma distância muito grande do centro político
e econômico que o Rio de Janeiro representava. Não
havia estradas (de rodagem ou ferrovia) que a ligassem à
Capital Federal e uma viagem de avião em 1940 durava
10 horas ou mais, de modo que a única forma razoável
de ir até ela existente era a navegação
de cabotagem. Tradicionalmente a economia e a política
da Amazônia sempre estiveram integradas e articuladas
diretamente com os estados e países vizinhos, isto
é, o estado do Maranhão, a região que
hoje é o estado do Tocantins, o estado do Mato Grosso
e os países que compõem a bacia Amazônica
(Bolívia, Venezuela, Peru, Colômbia e Guianas)
e com a Europa. Isso se construiu de tal modo que a realidade
presente no período republicano, pelo menos até
a Revolução de 30, nada mais era do que a
continuidade de uma situação estabelecida
no período do Brasil-Colônia e do Brasil-Império. Ao
longo do período em estudo (1930-1945), a noção
que se tem de Amazônia, está ligada estritamente
às condicionantes físicas, como a bacia hidrográfica
ou a Hévea brasiliensis. Ela é que
fornecerá parâmetros ao governo Federal, sobre
quais medidas adotar em relação à área. O
livro "Geografia do Brasil", de Delgado
de Carvalho, em sua quarta edição publicada
em 1929, definiu a Amazônia como sendo a região
cujos limites se confundiam com a bacia hidrográfica
do Amazonas, abrangendo as seguintes unidades administrativas:
estado do Amazonas e do Pará e território
do Acre. O Brasil Setentrional possuía cerca de 3
500 000 Km² e fora demarcado com base no conceito de
regiões naturais. Para o Prof. Delgado de Carvalho
a região natural era a "base para a divisão
geográfica racional" do país que permitiria
o estudo dos grupos humanos, compreendendo suas características
locais. Para ele as regiões naturais se caracterizam
pela topografia que apresentavam, por suas condições
climáticas, pelas condições de vida
e de trabalho que possuíam e pelos recursos que ofereciam.
Segundo Carvalho, cada região formaria um tipo
social humano característico, moldado pelas exigências
naturais da área(1)
A proposta do IBGE, elaborada em 1941, fora feita com base
nas formulações do prof. Delgado de Carvalho,
sendo Amazônia definida como a Grande Região
Norte composta pelos estados do Amazonas e do Pará
e pelo território do Acre. Essa delimitação
tinha também como fundamento teórico as regiões
naturais, sendo que o principal elemento a defini-la era
a imensa planície recoberta pela floresta equatorial. A
preocupação de Vargas com a Amazônia
esteve presente nos dois períodos em que ele governou
o país (1930-1945 e 1951-1954). Dentro da visão
de integração nacional traçaram-se
planos de desenvolvimento nos quais a Amazônia foi
uma das áreas escolhidas como prioritárias,
juntamente com o Nordeste. Algumas características
da região, como o despovoamento, a extensa
linha de fronteiras que compreendia as Guianas, a Venezuela,
a Colômbia, o Peru e a Bolívia, bem como o
fato de a Amazônia Brasileira possuir sedes municipais
com jurisdição sobre as áreas maiores
do que países europeus, chamaram a atenção
de Vargas.(2) A Amazônia era vista pelo governo como um dos maiores problemas que a administração nacional deveria enfrentar. Era papel do governo acabar com o descompasso existente em relação ao restante do país, de modo que ela pudesse contribuir no esforço do "Movimento de Reconstrução Nacional". (1)
CARVALHO, Delgado de. "Parte Regional-As divisões
Regionais do País: Bases Geográficas Racionais
desta Divisão" in "Geografia do Brasil",
quarta edição completa, 1929, Livraria Francisco
Alves (2) OLIVEIRA, A Engrácia. "Cap. IV - A Ocupação Humana" in Amazônia: Desenvolvimento, Integração e Ecologia, CNPq, 1983, p. 263. Além do texto em referência, os discursos feitos por Vargas, quando da sua segunda visita à região deixam essas preocupações em evidência, merecendo destaque a questão do fraco povoamento. |
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