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Artigos
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Convergência e Conflitos de Interpretação do Real: A Festa de Corpos Christi Como Representação Paradigmática da Diversidade Cultural por Liana Salvia Trindade |
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Abstract
- Extrait
"...
fazia calundures, posta em um altarzinho com seu dossel e um
alfange na mão, com uma fita larga amarrada na cabeça
lançadas as pontas para trás, vestida a modo de
anjo, e contando duas negras também angolas e um preto
tocando atabaque, que é um tamborzinho (...) e tocando
e cantando estão por espaço de uma até
duas horas, ficava ela como fora de seu juízo, falando
coisas que ninguém lhe entendia, e deitavam as pessoas
que curava no chão, passava por cima delas várias
vezes, e nestas ocasiões, é que dizia que tinha
ventos de adivinhar. (38) Pode-se
verificar que se trata de um ritual angolano, de possessão,
dirigido à cura e adivinhação, dado as
seguintes características: o toque de atabaques (pequeno
tambor tocado com as mãos) e, durante a possessão,
o espírito fala. Isto é diverso do ritual sudanês,
onde o toque do atabaque se faz com varetas e o espírito
não fala, apenas expressa, por meio da dança,
as suas origens míticas. Entre
os bantos, predomina a concepção mítica
da força dos espíritos manifesta nos seus descendentes,
em detrimento da reprodução ritualizada dos mitos
de origem das divindades, fazendo com que haja nas cerimônias
religiosas angolanas uma certa autonomia dos ritos em relação
aos mitos. Os
Calundus expressam-se através da inteligência do
homem, enquanto que os espíritos denominados malungos
falam no ar, ou nos ventos (possível relação
encontrada no texto: "aos ventos de adivinhar") ou mediante
os objetos. Os malungos, espíritos benéficos,
vêm aos homens espontaneamente ou nas práticas
advinhatórias. (39) O
Nganga (adivinho e curador) é escolhido pelo espírito
de seu ancestral para ser o mediador de suas ações
e depositário de sua sabedoria. O
sacerdote, denominado kimbanda entre os ambundu de Luanda, pode
testar a legitimidade do Nganga utilizando recursos que testam
a capacidade mediúnica do Nganga iniciante: o kimbanda
toca a língua do rnédium com uma faca ou agulha
e com um carvão aceso; se o médium permanecer
impassível, sem nenhuma manifestação de
dor, comprova-se a sua possessão. Uma
vez verificada a "mediunidade", o kimbanda ou pai-da-umbanda
(umbanda significa a sabedoria do adivinho) coloca questão
ao espírito possessor. Este lhe diz quem é, porque
está morto e que quer dar àquele que o incorporou
a sua sabedoria. Nas Práticas advinhatórias este
espírito ordenará o que é preciso ser feito.
(40) Neste
ritual, o médium senta em um tamborete, sendo arrodeado
por uma assistência que entoa o cântico das almas.
O transe é iniciado com choros, gemidos, tremores no
corpo e sacudidas de cabeça . (41) Nestes
últimos rituais angolanos, descritos por O. Ribas, confirma-se
a presença de elementos estruturais encontrados na macumba
e umbanda, posteriormente constituídas. A
existência na mitologia angolana de espíritos que
habitam a natureza - os Nkisi, os Quitutas (de Kituta: transportar),
localizados nas florestas, rios, rochas e os espíritos
das águas, as sereias - possibilitou a crença
afro-brasileira nos "encantados". No contexto afro-brasileiro,
os encantados incluem as entidades míticas da natureza,
onde a influência indígena também se faz
presente, e as almas de pessoas mortas que se tornaram espíritos,
habitando o universo natural ou mesmo manifestando-se na vida
social. Neste
quadro geral, foram representados as formas organizacionais
e os componentes estruturais do pensamento mítico europeu
e africano, que nortearam o ethos dos homens brancos e negros,
desde o período colonial. Através de confrontos
e interpenetrações culturais, estas formas de
conhecimentos sofreram processos de continuidade, rupturas e
inovações durante os séculos, fornecendo
em vários momentos históricos subsídios
para as representações míticas da realidade
social brasileira. Mencionam-se, mais especificamente, as crenças
e formas comportamentais que irão ressurgir, reconstituídas,
no cenário histórico da vida social paulista. This
paper analysis symbolic representations and racial relationships
apposing themselves in a "Corpus-Christ " celebration in 1733,
São Paulo, Brazil. Clet article fait l'anályse des répresentations symboliques et des rapports raciaux qui se defront en ayant pour paradigm une féte de "Corpus Christ " en 1733 à São Paulo, Brésil. (38)
MELLO E Souza, Laura. Op. cit., P. 267. |
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