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Memória da Faculdade de Filosofia (1934-1994)
por Miriam Lifchitz Moreira Leite


A utopia sonhada com diferentes feitios desde 1934 foi se materializando e ganhando dimensões gigantescas e desdobramentos cada vez mais complexo, que acabaram asfixiando os primeiros objetivos da Universidade. O departamento de Letras e Lingüística desdobrou-se em vários outros; o de Ciências Sociais passou a ter departamentos separados de Sociologia, Antropologia e Política; e os de História e Geografia, unidos pelo prédio, estão estudando divisões internas.

Enquanto até as Ciências Exatas e Biológicas consideram a impossibilidade de aprofundamento do conhecimento sem a interdisciplinaridade, as condições materiais do ensino e da pesquisa vêm se fragmentando ou paralisando os trabalhos transdisciplinares com que sonharam os fundadores da Faculdade de Filosofia.

Com inúmeros recuos e incontáveis avanços, chegou-se aos sessenta anos da Faculdade de Filosofia e da Universidade de São Paulo. O papel destacado que a Faculdade desempenhou na resistência à repressão militar e na liderança do movimento estudantil, bem como o acesso de seus melhores elementos a responsabilidades nacionais e internacionais, foi alterado após 1970 e em sua dispersão pela Cidade Universitária.

Hoje, a fragmentação do ensino e da pesquisa na Graduação vem sendo compensada pela formação de Grupos de Trabalhos Temáticos, por Centros e Núcleos de Estudo, às vezes de caráter regional e nacional, que reúnem cientistas e estudiosos de diferentes áreas, procurando refazer condições para superar a compartimentação das disciplinas acadêmicas. A multiplicação de escolas de 3º Grau não é suficiente para assegurar um mercado de trabalho para os formados, que precisam se garantir com bolsas e títulos acadêmicos, mesmo sem ter qualificações ou pendor para a pesquisa científica.

Dentro desta situação de ser uma Universidade rica dentro de um país pobre e desesperançado, formando pessoas altamente qualificadas que não encontram colocação e disputam, às dezenas, as vagas que se abrem, mesmo mal remuneradas, da Universidade, este exercício de memorização confirma avanços e um aproveitamento de vocação que se desdobrou pela população de todo o Brasil.


Bibliografia

AZEVEDO, Fernando de. História de Minha Vida. Rio de Janeiro/São Paulo, Livraria José Olympio Editora/Conselho Estadual de Cultura, 197 1.

______. Figuras de meu Convívio. (Retratos de Família, de Mestres e Educadores) 2a. ed. São Paulo, Liv. Duas Cidades, 1973.

BOSI, Ecléa. Lembranças de Velhos. São Paulo, T. A. Queiroz, 1979.

HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo, Vértice-Revista dos Tribunais, 1990. Trad. de Laurent Leon Schaffter.

DUARTE, Paulo. O Processo dos Rinocerontes (Razão de defesa e outras razões.. ). São Paulo, s/e, 1969.

PROUST, Marcel. À la Recherche du Temp Perdu. Paris, Gallimard, 1919-1927.

______. Le coté guermantes. A la Recherche du temp Perdu. Paris, Gallimard, v. I, 1919-1927.

______. Albertine Disparue. A la Recherche du Temp Perdu. Paris, Gallimard, v. II, 1919-1927.

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