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Artigos
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Pacoval Memórias de um Mocambo na Amazônia. História Vivida e História Contada por Eurípedes Antônio Funes (*) |
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Resumo:
Os mocambos que se formaram durante o século XIX, na Amazônia,
em especial no Baixo Amazonas, tiveram sua permanência
concretizada nas comunidades negras rurais, estabelecidas nos rios
e lagos da região, entre elas o Pacoval. Uma história
presente na memória dos remanescentes dos mocambeiros,
que tem se constituído em fonte significativa para a compreensão
do processo histórico dessas sociedades. Palavras-chave:
história - memória - história oral- comunidades
negras - Baixo Amazonas. Abstract:
"Mocambos " that appeared in the Amazonian region during XIX
Century, specially in lower amazon River, concretely lasted
in rural negro communities established in Amazonian rivers
and lakes. One of them is the "Pacoval". A story present in the
"mocambeiros" (dwellers in "mocambos") remnants memory, a significant
source in the understanding of those societies historical process. Key-words:
history - memory - oral history - negro communities - lower amazon
river. O
objetivo deste texto é fazer algumas reflexões sobre a
história de comunidades negras rurais, remanescentes de mocambos,
a partir de uma pesquisa desenvolvida na região do Baixo Amazonas,
em que a memória constituiu-se uma fonte significativa para o
conhecimento do processo histórico dessas comunidades e dos quilombos
que ali se formaram ao longo do século XIX. Maria
dos Anjos presa em Belém, para onde fora levada juntamente com
135 quilombolas do Curuá, foi submetida a um auto de perguntas
em 28/03/1876. Na ocasião, sendo indagada quem era seu proprietário
respondeu: "nunca tive senhor por Ter nascido nas matas." Assim, também,
vários de seus companheiros responderam que não sabiam
quem eram seus senhores, porque nasceram nas matas do Curuá (APEP,
1876). Na
história desses mocambeiros estão as raízes do
pacoval, comunidade negra rural, remanescente dos mocambos, localizada
à margem direita do rio Curuá, no município de
Alenquer, oeste do Pará, região também chamada
de Baixo Amazonas. Uma
história que está presente na memória dos mais
velhos, excelentes narradores que descrevem a saga de seus antepassados,
permite que se recupere um passado nem sempre revelado nos documentos
escritos. Uma memória que, ao mesmo tempo, é referencial
de ancestralidade e de identidade. As
discussões teóricas mais recentes sobre as temáticas
escravidão e abolição têm suscitado uma produção
historiográfica que busca constituir, como objeto de sua preocupação,
o resgate dos múltiplos significados apreendidos nas falas até
então silenciadas. Resgatam a história do negro cativo,
a sua luta social, o seu imaginário, a percepção
do mundo dos brancos, descobrindo e compreendendo o mundo que os escravos
criaram, numa outra perspetiva de análise histórica. Entretanto,
no que se refere às organizações quilombolas enquanto
resistência escrava, os estudos têm como eixo condutor de
suas reflexões o binômio constituição/destruição,
com maior ênfase em Palmares, fazendo deste uma matriz para o
conhecimento e a explicação de todos os demais quilombos
do país (Carneiro, 1988; Freitas, 1978; Maíra, 1985). Mesmo aqueles trabalhos que propõem discutir as sociedades quilombolas sobre uma nova ótica, não deixaram de lado esse aspecto enquanto centro das reflexões, como é o caso do trabalho de Stuart Schwartz (1987). Já Carlos M. Guimarães, em seu estudo sobre quilombos em Minas Gerais, aborda aspectos interessantes quanto à reprodução dessas organizações, ressaltando características econômicas e sua inserção na sociedade escravista, mantendo todavia ainda uma forte ênfase no processo de repressão aos quilombos (Guimarães, 1988). Próxima Página • Última Página (*) Prof. do Departamento de História da UFC; Doutorando em História Social - USP. |
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