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Indígenas e Camponeses: Uma relação de conflitos
Regina de Toledo Sader (1)



Bibliografia

Resumo: O texto trata da relação conflituosa entre índios e posseiros na ocupação da Amazônia Oriental. O passado é tomado pelos grupos de posseiros como justificativa legitimadora da violência.

Palavras-chave: camponês - violência - terra - Amazônia Oriental

Este artigo visa tecer algumas considerações sobre a imagem que ao longo do tempo foi sendo construída dos indígenas por certos setores da população que hoje ocupa porções do oeste do município de Imperatriz, às margens do Tocantins.

Nessa área encontrei historiadores locais, que procuraram, ao escrever seus livros, perpetuar fatos que viveram ou escutaram dos habitantes mais antigos. Considero-os uma excelente fonte de informações na medida em que perpetuam uma história oral. Não se trata de uma história acadêmica, porquanto tais autores não têm nenhuma formação nesse nível. Na busca dos fatos consigo o registro do que os mesmos significaram e ainda hoje significam no imaginário dessas populações camponesas ou não, no momento sob minha lente de pesquisadora. Não há possibilidade de reconstituições sob uma ótica positivista. Se a realidade é construída socialmente e se devo analisar o processo em que este fato ocorre (Berger e Luckmann, 1978), então, são esses a quem chamo de historiadores locais que, juntamente com os camponeses entrevistados, possibilitam que eu alcance meus objetivos.

Os dois historiadores a que tive acesso são ambos moradores da cidade de Imperatriz: Edelvira de Moraes Barros, que escreveu Eu, Imperatriz (Moraes Barros, 1970), professora primária cujo livro foi editado pela Prefeitura do Município, e Cícero Mendes, cujo exemplar ainda datilografado e inédito, intitulado Pesquisas Sertanejas, tive oportunidade de ler e gravar.

Edelvira não dá destaque à presença indígena, assinalando apenas que, na época da criação da Vila que daria origem à cidade de Imperatriz em 1852, a região era habitada por índios, que viviam em quatro aldeias situadas ao sul do atual município. É um silêncio eloqüente. Seu livro visa enfatizar o espírito trabalhador e pacífico de seus habitantes, desfazer na medida do possível qualquer reputação menos agradável que tenha existido.

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(1) Professora do Departamento de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo.

 
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