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Resenha: Por que Almocei meu Pai
Autor: Roy Lewis
Edição: São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Resenhado por Ana Raquel Fernandes
(*)



O aspecto mais interessante de Por que Almocei meu Pai está na comicidade com que o autor, o jornalista e sociólogo Roy Lewis, apresenta a evolução do homem das cavernas.

Para Roy Lewis, Adão e Eva não passam de eufemismos religiosos: nossa evolução foi mesmo a partir dos símios. Com base nessa idéia Lewis escreveu esse primeiro romance cult book nos anos 60.

Ernest é o narrador de Por que Almocei meu Pai. Sensato, ele conta as aventuras de seu pai Edward, considerado o homem-macaco mais importante do Pleistoceno.

Edward é um tipo peculiar cuja obsessão é transformar os membros de sua horda nos primeiros representantes do Homo Sapiens na Terra. Inquieto, o homem-macaco progressista acredita que só a evolução permitirá aos homens dominar o mundo.

Contrariando seus princípios está tio Vanya, um sujeito esquisito que defende a volta dos homens-macacos às árvores.

Assim, Ernest conta como seu pai dominou o fogo, ocasionou um incêndio, instituiu a exogamia e como sua horda descobriu a dança, a pintura, a comida e novas utilidades para a pedra lascada.

Com uma linguagem bem-humorada e anacrônica, cheia de jargões científicos e pratos franceses, Lewis reescreve, por intermédio de Ernest, a pré-história do homem.

Sem deixar de lado o aspecto geográfico e social da coisa, Lewis descreve com uma riqueza de detalhes deliciosos a África de 2 milhões de anos atrás, transportando o leitor para um mundo já extinto, mas não menos real que o nosso. No aspecto social, especialmente o psicólogo, Ernest é quem dá a deixa. Em seus momentos de introspecção, o narrador aprende a filosofar e a ter idéias sobre dominação e mesmo simbologias religiosas, que o levam a justificar o próprio crime.

Inusitado, Por que Almocei meu Pai é um livro acessível a leigos que desejam conhecer um pouco sobre o campo de estudo da Antropologia e sobre a nossa própria história. Para cientistas sociais, pode parecer um pouco superficial no que se refere a um estudo mais detalhado da pré-história. E o mais interessante do livro está justamente no seu caráter amplo, quase didático. Lewis consegue, de maneira simples, objetiva e engraçada, caracterizar aquilo que supostamente nos antecedeu e originou. O nosso antepassado mais remoto, que tantas indagações e surpresas nos suscita, apresenta-se, em Por que Almocei meu Pai, como um ser viável e sobretudo intrigante.


(*) Graduanda em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.

 
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