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Artigos
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Huxley Sobe o Morro e Desce ao Inferno A Umbanda no Discurso Católico dos Anos 50 por Artur Cesar Isaia |
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A
sobrevivência desses interditos, nos quais negritude, pobreza, marginalidade
e atraso mesclam-se, acenando para a intervenção de um saber
redentor, é evidente no discurso católico da década
de 50. Acentuando a negra e terrível face da umbanda, o arcebispo
de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, opunha-a ao saber médico,
capaz de curar e corroborar cientificamente a condenação
católica à umbanda: "A
umbanda se distingue pela pretensa evocação dos espíritos
e pelo culto do demônio, que chamam, de Exu. Os perigos das
práticas umbandistas, no terreno da terapêutica, coincidem
com os efeitos deploráveis do curandeirismo. Reduzem-se à
prática ilegal da medicina, com as conseqüências desastrosas
que todos conhecem. Muitos doentes, ficam sem tratamento adequado,
perdem tempo e vêem seus males agravados, muitas vezes irremediavelmente,
com o pseudotratamento dos terreiros e dos despachos. (...) Cabe
aos médicos dar a resposta autorizada, pois vivem, profissionalmente
dedicados a tais estudos. Ora, existe impressionante unanimidade entre
médicos, psiquiatras, diretores de hospícios, etc., em denunciar
a prática das evocações dos espíritos como
nociva, desaconselhável, perigosa, perniciosíssima, etc..."
("Hospital", 46(3): 192). Portanto,
a umbanda era representada como manifestação intrinsecamente
ligada, tanto ao atraso de populações imersas na incultura,
quanto ao mal. O cruzamento do saber médico com o discurso religioso
acenava para a necessidade de extirpar-se do convívio social todos
os valores capazes de perpetuar a ignorância e impedir o progresso.
No discurso católico, esse cruzamento de saberes ratifica a necessidade
de exorcizar o corpo social, de livrá-lo de valores indesejáveis,
opostos à verdade socialmente imposta. O discurso católico,
legitimando a ordem social, interpretava os valores e saberes dominantes
relacionando-os ao sagrado realissimum. Esforçando-se por
manter como óbvia a imagem de um "Brasil católico" em meio
a uma sociedade reveladora de padrões cada vez mais distantes do
ideal de cristandade, a Igreja via a umbanda como a antítese da
alva segurança nômica. Como irrealidade, povoada pelo mal
e pela loucura(10), qualidades
próprias do "reino das trevas". Portanto, para o discurso da Igreja,
o Brasil mostrado a Huxley em 1958 caracterizava-se como uma terrível
contradefinição da realidade, própria de um mundo
marginal, que necessitava, urgentemente, ascender ao convívio dos
valores socialmente aceitos por um Brasil desenvolvido e, naturalmente,
católico. Abstract:
Huxley goes up the hill and goes down straight to hell. The "umbanda"
in the catholic discourse during the 50s. This text
explores the various reactions to the emerging of "umbanda" in
Brazil by taking into consideration the concept of progress which was
a very important one in the catholic press during the 50s. The
power of catholicism underlies the reasons why "umbanda" was disqualified,
misunderstood and associated with superstitions, misery and underdevelopment. Key-words:
umbanda - catholicism - imaginary BERGER,
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Sobre as legitimações religiosas, ver Berger, 1985: 52. |
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