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Um Diálogo com Monteiro Lobato
por Margareth Yayo Gimbo Melero
e Maria Alice Oliva de Oliveira



Abstract - Bibliografia

Descobrindo, então, que o grande segredo da prosperidade americana é a máquina, Lobato engaja-se na luta pela produção nacional de petróleo e ferro. Agora Lobato, maduro, já tem um estilo. Suas idéias estão cristalizadas, ele tem certezas. Com relação ao Vale, vê nele "um diamante a lapidar" por meio da técnica, da máquina, das estradas, da indústria, enfim, do progresso. Jáem 1943 ele vislumbra o início da modernização, pela cultura do arroz e da possibilidade de crescimento industrial na área do Médio Vale: "Taubaté avultou e já pensa em cognominar-se a Manchester do Vale. Pinda, a decaída Princesa do Norte, também entressonha um principado industrial. Guará planeja a hegemonia do Norte. Todas renascem e sonham".

Entretanto, para que a prosperidade econômica alcançasse toda a extensão do Vale do Paraíba, fazia-se necessária a "intervenção construtiva do estado para a obra, que só ele pode empreender, de coordenar, entrosar", o que se daria pela construção de eficientes vias de circulação (idem, 1946b: 225-31).

***

Várias são as dicotomias traçadas por Monteiro Lobato para mostrar-nos os contrastes do território brasileiro: o urbano, com a tecnologia, cultura, elementos constituintes do moderno; o rural, com a monocultura desprovida de técnica, ignorância, superstição, que são elementos que caracterizam a estagnação e o entrave para a eficiência e a prosperidade. O projeto político do autor seria a mudança da mentalidade no Vale do Paraíba, para que a área pudesse integrar-se no novo projeto.

Tudo estava pronto para acontecer. Era necessário, porém, sanear alguns pontos: o Brasil agrário que gerou a monocultura, o caipira, o ex-escravo, a ignorância e as doenças endêmicas. Se fizermos um passeio pelas caricaturas esboçadas por Lobato, do "caipira", do "negro" e, consequentemente, da miscelânea dessas etnias, conclui-se que o brasileiro, aquela mistura de raças, não resultou em boa coisa. Necessitava do exemplo do afinco do trabalho dos imigrantes e, também, de cultura.

No entanto, o urbano também necessitava reconstruir sua verdadeira identidade para edificar o projeto da nação brasileira, não buscando modelos estéticos trazidos com os "ismos", mas criando sua verdadeira representação.

Para as idéias de modernização de Lobato, as "cidades mortas" constituem um obstáculo. Buscá-la é buscar algo novo, que as "cidades mortas" não oferecem; faz-se preciso a destruição de um passado para a criação do moderno. Ironicamente, a estagnação tão execrada por Lobato fez com que parte do Vale do Paraíba resistisse à modernização, guardando consigo as pistas, os emblemas para podermos reconstruir a memória em seu espaço e tempo.

Abstract: Some of the ideas presented by Monteiro Lobato in his book Dead Cities are discussed in this paper. The author portrays part of the Parayba Valley, in order to identify some of the reasons of its decadency and to explain the difficulties for an even development, which is experienced by other regions of the State of São Paulo. From his book a very vivid and actual description emerges, and it has not been altered until present days. This explains the name "Dead Cities " still used to identify the least developed area of the Parayba Valley.

Key-words: memory - history - Monteiro Lobato - literature

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