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Descobrindo,
então, que o grande segredo da prosperidade americana é
a máquina, Lobato engaja-se na luta pela produção
nacional de petróleo e ferro. Agora Lobato, maduro, já tem
um estilo. Suas idéias estão cristalizadas, ele tem certezas.
Com relação ao Vale, vê nele "um diamante a lapidar"
por meio da técnica, da máquina, das estradas, da indústria,
enfim, do progresso. Jáem 1943 ele vislumbra o início da
modernização, pela cultura do arroz e da possibilidade de
crescimento industrial na área do Médio Vale: "Taubaté
avultou e já pensa em cognominar-se a Manchester do Vale. Pinda,
a decaída Princesa do Norte, também entressonha um principado
industrial. Guará planeja a hegemonia do Norte. Todas renascem
e sonham".
Entretanto,
para que a prosperidade econômica alcançasse toda a extensão
do Vale do Paraíba, fazia-se necessária a "intervenção
construtiva do estado para a obra, que só ele pode empreender,
de coordenar, entrosar", o que se daria pela construção
de eficientes vias de circulação (idem, 1946b: 225-31).
***
Várias
são as dicotomias traçadas por Monteiro Lobato para mostrar-nos
os contrastes do território brasileiro: o urbano, com a tecnologia,
cultura, elementos constituintes do moderno; o rural, com a monocultura
desprovida de técnica, ignorância, superstição,
que são elementos que caracterizam a estagnação e
o entrave para a eficiência e a prosperidade. O projeto político
do autor seria a mudança da mentalidade no Vale do Paraíba,
para que a área pudesse integrar-se no novo projeto.
Tudo
estava pronto para acontecer. Era necessário, porém, sanear
alguns pontos: o Brasil agrário que gerou a monocultura, o caipira,
o ex-escravo, a ignorância e as doenças endêmicas.
Se fizermos um passeio pelas caricaturas esboçadas por Lobato,
do "caipira", do "negro" e, consequentemente, da miscelânea dessas
etnias, conclui-se que o brasileiro, aquela mistura de raças, não
resultou em boa coisa. Necessitava do exemplo do afinco do trabalho dos
imigrantes e, também, de cultura.
No
entanto, o urbano também necessitava reconstruir sua verdadeira
identidade para edificar o projeto da nação brasileira,
não buscando modelos estéticos trazidos com os "ismos",
mas criando sua verdadeira representação.
Para
as idéias de modernização de Lobato, as "cidades
mortas" constituem um obstáculo. Buscá-la é buscar
algo novo, que as "cidades mortas" não oferecem; faz-se preciso
a destruição de um passado para a criação
do moderno. Ironicamente, a estagnação tão execrada
por Lobato fez com que parte do Vale do Paraíba resistisse à
modernização, guardando consigo as pistas, os emblemas para
podermos reconstruir a memória em seu espaço e tempo.
Abstract:
Some of the ideas presented by Monteiro Lobato in his book Dead
Cities are discussed in this paper. The author portrays part
of the Parayba Valley, in order to identify some
of the reasons of its decadency and to explain the difficulties
for an even development, which is experienced by other regions
of the State of São Paulo. From his book a very vivid and
actual description emerges, and it has not been altered
until present days. This explains the name "Dead
Cities " still used to identify the least developed area of the Parayba
Valley.
Key-words:
memory - history - Monteiro Lobato - literature
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