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Artigos
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O Movimento dos Sem Terra : uma análise sobre o discurso religioso por Drª. Maria de Lourdes Beldi de Alcântara - Núcleo e Laboratório do Imaginário e Memória da Universidade de São Paulo Marcelo Justos - Mestre em Geografia e Doutorando em Geografia Agrária |
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Os rituais da religião católica e seus sacramentos aparecem
como espaço aglutinador e "harmônico" do conflito;
a missa/romaria aparece como o elemento sintetizador, o lugar de reunião,
de conscientização e, portanto, de reivindicação,
ultrapassando o espaço geográfico da Igreja.
Neste contexto, a Romaria expressa a solidariedade do povo; verdadeiras
passeatas, sinônimos de união, força e fé.(4)
Os símbolos católicos tais como a bíblia e a
cruz, recebem o significado de conscientização, luta
e esperança.
A intenção discursiva é transformar este ritual
no abrigo da diversidade cultural e, portanto, ecumênica. Através
disto, pode eximir-se de qualquer classificação social,
assim categorias sociais são confundidas com qualificativos
que dissipam qualquer tensão no interior do discurso.
Podemos dizer que ocorre uma forte filiação discursiva
da direção do MST à Teologia da Libertação,
ambos acreditam que ao apresentar a miserabilidade do povo por meio
da estética da fome dos anos sessenta com a apropriação
de símbolos do imaginário religiosos popular podem levar
a conscientização para a transformação
social no aqui e agora.
Muito embora, como assinalamos acima, o MST tenha surgido da Comissão
Pastoral da Terra ele, ao nosso ver, dá um avanço em
relação ao discurso da Teologia da Libertação,
em relação ao binômio Fé e Política.
Acrescenta Mística e Política, constatando e, portanto
aceitando, diferentemente da Teologia da Libertação,
o caráter milenarista da religiosidade popular. Com isto, consegue
abrigar toda e qualquer diversidade religiosa que caracteriza esta
população; (5)fazendo
com que todos possam se sentir incluídos e, portanto, agentes
de transformação na luta pela Terra. Constatando que
o grande discurso aglutinador e identificador ainda esta no locus
do "sagrado" e na sua eficácia simbólica.
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