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Agenda
do Labi-Nime
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Centro
de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco
(CFCH) PROGRAMAÇÃO
DIA 25 de OUTUBRO de 2000 Le retour du destin, ou longue mémoire de l' inconscient collectifConferência de Michel Mafessoli (Prof. Dr. da Université Paris-Sorbonne) Horário: 8:30 às 10:00 Local: Auditório do CFCH (UFPE) GT
CIDADES: LUGARES, NãO-LUGARES, ENTRE-LUGARES...
Sessão 1
O Recife melhor do que Paris Historiador,
crítico literário, escritor, jornalista, editor.
O Recife e as cidades invisíveis A
cidade é uma construção que foge aos limites da sua
dimensão física. Decifrar sua história exige uma
leitura dos seus símbolos e da sua memória. Cada cidade
guarda segredos que nunca cessam de ser reinventados. Quando contamos
a história só a partir do visível, trilhamos caminhos
comuns e meramente cronológicos, sem surpresas. Calvino e Garcia
Marquez nos acenam, nos seus livros , com a dimensão mágica
das suas cidades. Não devemos esquecê-las. É assim
que deve ser pensada e contada também as histórias do Recife
ou de qualquer outra cidade. Moram nas cidades muitos mitos, entre eles
o da liberdade e o da igualdade. A história do Recife convive com
seus mitos, desde seus primeiros tempos. O culto ao planejamento termina
por esconder essas cidades invisíveis. Não podemos deixá-las
naufragar no esquecimento. Memória
e remodelação urbana: o centro histórico de Salvador
questionado pelo Bando de Teatro Olodum A
"Trilogia do Pelô" constitui um ciclo de peças construídas
pelo Bando de Teatro Olodum, companhia de atores negros residente no Teatro
Vila Velha, de Salvador, e originada de uma iniciativa do Grupo Cultural
Olodum, em 1990. Esse conjunto de peças _"Essa é a Nossa
Praia", "Ó Pai, Ó" e "Bai Bai Pelô" que tem como protagonista
a própria comunidade do Pelourinho, bairro a partir do qual foi
fundada a cidade de Salvador há 450 anos, foi construído
entre 1990 e 1994, justamente quando o referido local estava sofrendo
os primeiros impactos de um grande projeto de replanejamento urbanístico
empreendido conjuntamente pelo governo municipal, estadual e federal.
Propomos analisar quais os tipos de memória em jogo nessas obras
teatrais e suas formas de embate, conflito, resistência, partindo
de uma visão de cidade como texto, do qual seus habitantes são,
ao mesmo tempo, autores, signos e leitores; não descurando das
relações entre memória e oralidade/tradição
oral, fundamental neste processo de construção textual,
coletivo por excelência. As
Marcas Do Tempo :monumentos e criação de uma memória
colonial no Rio Grande do Norte O
resgate de uma memória colonial e das representações
simbólicas ligadas aos principais personagens da história
local se faz na hora da evocação dos monumentos construídos;
marcas do passado presentes no espaço urbano. As lendas de fundação
das cidades se agregam às estórias de trancoso ou aos contos
de encantamento, bem como algumas referências mais breves, presentes
nas conversas e em outros tipos de discursos. Neles, podemos notar a repetição
e a insistência sobre um detalhe pertencente a determinado acontecimento
histórico que geralmente difere da versão dos historiadores
- ou a deslocação de um monumento para uma outra época
como é o caso das obras deixadas pelos holandeses ou ainda, a notificação
de uma manifestação sobrenatural junto a um monumento geralmente
numa casa inabitada ou num cemitério esquecido -, ou, enfim, o
relato da presença de monstros subterrâneos (aquáticos
ou terrestres) povoando o subsolo das cidades históricas do Rio
Grande do Norte (igrejas, fortes, prisões, poços, etc.).
São temas recorrentes e dinâmicos que formam os elementos
díspares de uma visão bastante instigante da história
local, tendo como característica principal a realização
de sua construção por vários atores. A reflexão
que propomos aqui visa resgatar uma história mestiça, reelaborada
pelos seus descendentes, levantando problemas ligados aos aspectos teórico-metodológicos
da análise das formas narrativas numa perspectiva antropológica.
Pensamos que a leitura comparada dos textos da tradição
oral e dos resultados da pesquisa etnográfica ajuda a desenhar
uma geografia e uma história imaginária das cidades do Rio
Grande do Norte.
Entre a terra e o mar Neste
findar de século, as praias firmaram-se como espaço privilegiado
de lazer e sociabilidade, função e lugar de consumo e de
atitudes comportamentais de massa. Contudo, malgrado a força e
visibilidade com que se apresenta, este modo de viver e conceber as praias
possui existência relativamente curta na história da sociedade
brasileira. Sucessivas transformações se processaram no
espaço geográfico, econômico, social e cultural das
praias que, tendo raízes fincadas nos anos de 1840 (referindo-se
particularmente às praias do Recife e de Olinda) intensificaram-se
a partir das décadas finais do século XIX e iniciais do
XX. O trabalho de pesquisa, em que se baseia essa comunicação,
constitui uma tentativa de apreender e explicitar a trajetória
histórica das mudanças verificadas nas formas coletivas
de perceber, sentir e usufruir do mar e suas praias, as quais tornam-se
inteligíveis apenas quando associados ao contexto social mais amplo
no qual se inscrevem e, particularmente, ao mundo das cidades. SESSÃO
2: Exibição
da peça musical de Jonh Cage: Roaratorio (Ein Irischer Circus
über Finnegans Wake) seguida da leitura do poema CIDADE de Augusto
de Campos, 1963.
Algumas observações sobre o trânsito entre o "dizer"
e o "mostrar" Há
três anos venho criando, como trabalho de artes plásticas,
um conjunto de neologismos extraídos e construídos a partir
de anagramas de meu nome. Estas novas palavras procuram nomear objetivamente
sensações físico-emocionais vividas por mim. Tais
sensações, por origem, não são passíveis
de descrição sem perderem sua integridade. Elaboradas com
o formato de dicionário, denominadas segundo categorias como substantivos,
adjetivos, verbos, estas palavras nomeariam, em verdade, a impossibilidade
de tudo nomear. A reflexão em questão terá como tema
o paradoxo que compõe este projeto de dicionário montado
sobre a distância e a possível crise entre o "dizer" e o
"mostrar"; entre o ato experienciado e o ato relatado. Nesta ocasião
serão exibidos os registros visuais da ação urbana
denominada "nosfate" que parece "mostrar" um tipo surdo de atitude individual
sobre o corpo coletivo da cidade.
Imersa em um Monumento O
encontro com a imagem de uma estrutura arquitetônica de grande porte
é tomado como veículo de reflexão sobre a cidade
de São Paulo, enquanto cenário de uma recepção
visual dinâmica, onde estruturas em relações complexas
acionam diversas possibilidades de apreensão (e vivência)
do espaço urbano no mundo atual. Dividido em duas partes ("o monumento"
e a "imersão") o trabalho propõe o atravessar por entre
textos e imagens, pelos quais, são abordados conteúdos vindos,
sobretudo, dos campos do conhecimento da arte e da filosofia.
Operador de câmara escura Percursos
são atos de enunciação, espaços manipuláveis,
nos quais se realiza uma série de caminhos. Seus enunciados remetem
a uma organização flutuante de tempos e movimentos, provocando
dobras infinitas entre as coisas. São nos trajetos que se desvelam
as formas ocultas escondidas na ampla escala da cidade. O "ter" e o "perder"
das imagens, que permeiam as trajetórias, se conectam à
sensações inenarráveis. Através de um vídeo
performativo buscarei realizar uma operação nos interstícios
plásticos do pensar e do caminhar. São nos deslocamentos
que o reter concreto das imagens se dissolve quando percebemos que o ver
é perder e o olhar é tornar-se imagem. A partir de uma série
de fragmentos visuais da mobilidade citadina serão configuradas
noções cíclicas do aparecer, aproximar e afastar.
Garimpo Apresentação
de onze imagens fotográficas que enfocam a presença de "lugares"
a partir de "não-lugares"no bairro da Boa Vista, na cidade do Recife.
Caminhos de Pedra Eu
era uma rua e sobre mim se projetava o tempo: no andar dos transeuntes,
no acúmulo de fumaça, no correr dos ônibus. Entretanto,
eu-rua, a despeito do tempo, continuava o meu caminho. Configurava-me
no espaço da minha amplitude com especial soberba. O tempo passava.
Eu ficava. (Projeção de fotografias de calçadas em
pedra portuguesa do bairro do Recife acompanhado de fundo musical produzido
pela autora a partir do registro aleatório de sons durante um passeio
de bicicleta por bairros da cidade).
Paisagens e Desejos
Reunião de colagens, textos e fotografias sobre a paisagem natural
e humana captada em Pernambuco, dos tempos coloniais até a contemporaneidade.
Colagens de formas, técnicas e desejos apoiados em textos que servirão
de suporte para datar e nomear espaços. Para a sua apresentação
será utilizada instalação de uma pequena exposição
de colagens.
Apresentação
de imagens, sons, signos, formas e representações do mangue
a partir do imaginário mangueBit. ASSOMBRAÇÕES ...
anjos, querubins, donzelas, deuses e deusas, leões alados, pássaros,
fantasmas, monstros...estáticos, majestáticos, ora expostos,
explícitos, ora velados em recônditos jardins... imóveis
nas ruínas e beirais, incrustados nas fachadas, enfumaçados
pela marca indelével do tempo....à espreita, à procura,
à espera de um olhar... "nessas paragens do vago onde toda realidade
se dissolve..." (Projeção de imagens de elementos escultóricos
de praças, fachadas e cemitério, acompanhadas de fragmentos
musicais do poema de Rimbaud, O Barco Bêbado, da peça musical
de John Cage, Roaratorio, e de solo para piano, Evocação,
de Nelson Ferreira. DIA
26 de OUTUBRO de 2000 Mythe
urbain et violence fondatrice GT
Cidades: Lugares, Não-lugares, Entre-lugares... SESSÃO
3:
Roque Santeiro - uma outra história
Apresentação de vídeo etnográfico em que discute
a modernização da cidade, apartheid social e ecologia a
partir da visão dos moradores desta comunidade, uma favela na beira
do rio Capibaribe. Situa-se numa área limítrofe do bairro
dos Coelhos, de antiga tradição de lutas, bastante valorizada
pela especulação imobiliária dentro do processo de
revitalização de regiões centrais do Recife. O documentário
também mostra o perigo que paira sobre as ZEIS - Zonas Especiais
de Interesse Social, iniciativa pioneira no país para o direito
ao solo, moradia, cidade, cidadania. Criadas em 83, pela pressão
popular, as ZEIS sobrevivem sob fortes pressões para serem extintas
antes de vingarem. Vidas
Suspensas na Ponte do Limoeiro: a adaptação do morar ao
Não-Lugar. Este
ensaio tem como objeto de análise o grupo e sua relação
com o espaço que ocupam no vão livre da viga estrutural
da Ponte do Limoeiro, como uma resposta espontânea e transgressora
a um problema urbano maior que é a falta de moradia. Frente a este
fato, pretende-se observar como atua o imaginário dessas pessoas
que criam e vivenciam um lugar acoplado ao vazio de um não lugar
a ponte -, buscando compreender a percepção e apreensão
deste espaço enquanto lugar habitado e com um cotidiano doméstico,
verificando se há ou não uma possível relação
entre o ambiente espacial e a epresentação mental que este
grupo produz. É a intensificação das dicotômicas
relações "cidade legal x cidade ilegal" e "cidade ideal
x cidade real". É uma das respostas à ausência do
lugar de morar, que gera e é gerada pelo efeito marisco , que implica
na ação de se justapor, colar-se a uma estrutura preexistente
com funções outras, que não a do habitar; ocupando
pequenos espaços vagos, preenchendo os interstícios da malha
urbano-social local, parasitando de várias formas, ao criar e colar
casas nestes vazios. É adaptar a natureza, o morar e o viver às
condições de um espaço inadequado aos mesmos. É
a inversão da lógica do postulado arquitetônico moderno
que "a forma segue a função", para o postulado de que o
corpo segue a forma , como mais uma transgressão e degradação
da sociedade. As
cidades e a lama: Manguetown. Dialogando
com o imaginário do mangueBit encontro deusas. O mangueBit é
fenômeno artístico surgido em Recife no início da
década de noventa, e a Manguetown é uma dessas deusas: suja,
fértil, violenta, selvagem, antiga, urbana, contemporânea,
cosmopolita. Recife é então a cidade do mangue, assim denominada
pelo grupo de amigos que produziu o embrião do mangueBit. Do mesmo
modo que trouxeram um novo nome para a cidade que os continha e rejeitava,
estes amigos se intitularam com zombaria de mangueboys e manguegirls.
Assim, a Manguetown é uma das faces da metrópole onde habitam
esses mutantes caranguejos com cérebro. Eles se deparam com uma
deusa aterrada por desvarios decorrentes da cínica noção
de progresso e aliam-se à sua transformação desordenada
enquanto reconhecem este caos também inerente à natureza
de seu ecossistema manguezal. Assim a Manguetown ressurge eterna porque
em perene modificação como a cidade dos alquimistas.Quem
apreende as imagens da alquimia e olha para a Manguetown percebe a serpente
Ouroboros emergindo. Diante desta cobra que morre e renasce mordendo a
própria cauda, é possível compreender significados
desse grupo de amigos que encontra na transformação da metrópole
uma de suas estratégias para uma vida plena de significado. Espaços-filigrana.
imagens da Cidade do Recife construídas através da literatura
e pensadores locais nas décadas de 50 e 60. Este
trabalho pretende refletir sobre a repercussão do fenômeno
da vivência urbana na cidade do Recife - na sua complexidade, como
cidade "imaginada" nas representações que dela se faz na
literatura e nas descrições dos pensadores locais. Visitar
a cidade através dos seus mitos, emblemas, símbolos, metáforas
e dos seus personagens, nos permite especular, nas imbricações
da cidade real/cidade imaginária/cidade ideal, as dúvidas,
respostas e anseios dos seus narradores. A narrativa literária
ou a narrativa que tem como base as descrições e memórias
dos pensadores locais dão-nos acesso ao universo simbólico
da cidade do Recife, onde o símbolo pode revelar-se como um caminho
possível de comunicar os mistérios que a palavra não
consegue transmitir na sua linearidade. Essas imagens desnudam um espaço
poético tipicamente recifense, geram memória e guiam condutas,
sendo fundamentais na construção dos processos de identificação
ou identidade da cidade e seus moradores.
Nas malhas do virtual: o Shopping Center Trata-se
de um ensaio de imagística etnográfica do Shopping Center,
como lugar que estabelece relações de sociabilidade, identidade
e memória. Possibilita, no primeiro momento, um entendimento das
velozes mudanças cada vez mais freqüentes na incorporações
de novos valores, e assumem importância fundamental na configuração
urbana da contemporaneidade. No segundo momento, procura-se evidenciar
através da morfologia física-espacial, a qualidade panóptica
dos espaços de convivência e de socialização,
os níveis de conectabilidade e integração dos fluxos
de integração, entre outros aspectos, tais como o recobrimento
de camadas de significação dos seus diversos espaços,
bem como a sua influência no estímulo para o consumo.
De um lugar a um não-lugar: o aeroporto? Pretende-se
entender e interpretar o aeroporto como um não-lugar, segundo a
perspectiva sugerida por Marc Augé, isto é, aqueles espaços
que não propiciam e nem geram historicidade, liames de sociabilidades,
identidades nem enraizamento. Visto dessa perspectiva, o aeroporto pode
ser também representado como uma espécie de acampamento
nômade onde os indivíduos se encontram em constante trânsito
sem que lhes sejam permitido algum tipo de registro mais prolongado de
suas passagens. A apresentação deste ensaio etnográfico
será ilustrado por uma série de imagens em que se procura
apreender e captar cenas da cultura viajante, itinerante, em que cada
indivíduo torna-se apenas mais uma peça integrante da efeméride,
marca indelével da contemporaneidade.
O elevador e o corredor: uma ponte para o contato? A
partir de um estudo sobre relações de vizinhança
em um condomínio de apartamentos de classe média, na cidade
do Recife, foram desenvolvidas algumas reflexões que versam sobre
o espaço do apartamento, mais especificamente, sobre o elevador
e o corredor. Partindo do pressuposto que são, ambos, novos espaços
gerados pelo apartamento, onde se instauram novos tipos de sociabilidade.
Enquanto que na casa (residencial unifamiliar) todo o espaço do
"entre-muros" é de propriedade privada e exclusiva do proprietário
da casa, no edifício de apartamentos, apenas as unidades de apartamentos
pertencem, de forma privativa e exclusiva, ao seu proprietário.
Todas as outras áreas (estacionamentos, parque, escadas, elevadores,
corredores, etc) são de propriedade e uso comum a todos os moradores.
A meu ver, dentro da classificação dos espaços comuns,
o elevador, o corredor e a escada possuem uma diferenciação
a mais, porque além de espaços comuns, são espaços
de transição. Por sua vez, as relações sociais
estabelecidas nesses espaços sofrem, acredito, uma forte influência
dessa transitoriedade. Nesse último aspecto, o elevador e o corredor,
podem ser vistos como espaços capazes de fazer uma "ponte" para
o contato entre vizinhos. É bem verdade que a natureza desse contato
é ambígua. Isso porque, se por um lado esses novos elementos
possibilitam a aproximação entre as pessoas; por outro lado
proporcionam contatos efêmeros, com pouca duração.
Como
outrora as janelas, o portão e o terraço propiciam a sensação
de fuga e evasão sem que para isto o indivíduo precise penetrar
no universo exterior da rua. É nesses "lugares" e "entre-lugares"
que se realiza grande parte dos encontros cotidianos juvenis, revelando
dinâmicas intergeracionais e intrageracionais. Este ensaio etnográfico
busca entender e interpretar algumas dinâmicas possíveis
a partir da apreensão de suas articulações com o
espaço doméstico e transacional que liga a casa e a rua.
A cidade, a calçada e o ponto: lugar ou entre-lugar do travesti? O
olhar do travesti na cidade, a sua localização espacial,
é mediador entre público e privado, intervalo no tempo e
no vácuo, no trânsito de pedestres, espaço de "batalha"
de muitos e diversos. O cruzar de uma rua, ponto de passagem, trottoir;
presença passageira, ritualizada e imbricada de códigos
e intenções que permeiam um mundo construído num
lugar-intervalo: um entre-lugar? A experiência dos travestis marca
um conflito pelo lugar não só representado espacialmente
como também subjetivamente, reelaborado a cada dia: "cada qual
na sua esquina". Este ensaio se propõe a apreender esses personagens
urbanos enquanto habitantes de um espaço: a rua. Como se constróem
e se instalam, tornando seu este "pedaço" que se configura em pequenos
metros quadrados da cidade. Na
noite, nem todos os gatos são pardos. O mundo mix em Belém
visto através da Cidade Trata-se
de um estudo de caso sobre os "espaços mix" enquanto espaços
pós-modernos. O enfoque são as boates mix, com análise
específica da boate Mystical Teatro Dancing Pub, buscando resgatar
seu processo de formação em Belém e reconstruir a
trajetória desses "lugares"na cidade. Nesta perspectiva, procuro
mostrar que esses "lugares"se constituem em leituras regionais de um padrão
global sugerido pelo contato com culturas globalizantes enquanto reelaborações
das formas tradicionais de vivência do lazer noturno de Belém,
o que projeta uma imagem alternativa àquela da cidade exclusivamente
tradicional, proporcionando a eclosão da multiculturalidade no
espaço urbano.
O Entre-lugar dos Deuses Apresentação
de vídeo quase performático ambientado num dia de finados,
no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, em que se confrontam a
poeticidade do lugar, dos Outros Orfeus e os cem anos do cinema. DIA 27 de OUTUBRO de 2000 GT
Cidades: Lugares, Não-lugares, Entre-lugares... SESSÃO
4:
A Biblioteca de Babel: uma Arquitetura da Ficção "A
BIBLIOTECA DE BABEL", do escritor argentino Jorge Luis Borges, enveredando
em universo onírico, sugere diversas interpretações
para os espaços, metáforas, figuras e mitos de uma biblioteca
que possui todos os livros possíveis, e que pode ser entendida
como a figuração da cidade e do universo do saber infinito.
A Biblioteca Cidade de Babel reinterpreta o conceito e especula o sentido
de biblioteca, enquanto agência social, mediante a utilização
interdisciplinar de dados concretos e reais assomados aos dados de um
universo fictício e literário, dialogando com o espaço
abstrato 'construído' por Borges. A opção em não
seguir como condicionante projetual as amarras da elaboração
do real, como exigências de ordem técnica e construtiva;
permitiu o mergulho nos limites dos valores simbólicos como princípio
de projeto. A exeqüibilidade da resolução projetual
não se comporta como dado definitivo, a construção
do sentido é o enfoque principal. A BIBLIOTECA DE BABEL, como a
Cidade Virtual da Informação, utiliza a tecnologia como
veículo para a viabilização das fantasias borgianas
do não-lugar do infinito e do entre-lugar da globalização.
A Cidade de Babel intencionalmente especula sobre potencialidades reais,
enfatizando o confronto do mundo real com o universo da ficção,
seja esta científica ou literária.
A cidade, a lisura e a estria. O Entre-lugar na perspectiva de Gilles
Deleuze São
nas superfícies, superfícies dos corpos, que se elaboram
os sentidos, ao longo de uma linha de fronteira entre ordens de coisas
diferentes. Segundo a perspectiva deleuziana a primeira evidência
esquizofrênica é que a superfície exploda já
que o mais fundo é a pele. Os acontecimentos não ocupam
a superfície, aparecem nela, assinalam o Entre. Nessa perspectiva,
a ciência deveria cada vez mais se tornar um espaço "liso"
em contraposição ao espaço estriado, cujo exemplo
é a malha da cidade.
A cidade e suas margens. A linguagem como Entre-lugar em Jacques Derrida Segundo
a perspectiva desconstrucionista de J. Derrida, pretende-se desenvolver
uma abordagem da linguagem não como signo identitário-representativo
de lugar, mas como fulgor fugidio, passagem luminosa da relação
homem-mundo. "Lugares
de Memória"- incursões mitopoéticas por um bairro
do Recife Ensaio
mitopoético de um bairro do Recife, Casa Forte, reputado por seu
bucolismo. O foco de interesse incide nas representações
oriundas de cartões postais, fotos, registros iconográficos
e memória de velhos habitantes do bairro. Pretende-se observar
as marcas do tempo em suas ruas e avenidas, em seu casario, que pouco
a pouco é substituído pela verticalidade, restringindo cada
vez mais a horizontalidade, signo espacial de outrora. Como lidar com
a ausência do antigo? E com a eternidade desse novo que se transmuda
sempre, numa juventude ao mesmo tempo diabolicamente eterna e decrépita? Memória
das praças: o imaginário em Currais Novos/RN. Partindo
da relação entre memória e imaginário, apresentam-se
os resultados de uma investigação realizada a partir da
experiência da autora como moradora e freqüentadora das Praças
Cristo Rei e Des. Tomaz Salustino da Cidade de Currais Novos/RN no período
de 1980 a 1990, e do olhar distanciado e amadurecido pela prática
científica, no período de 1998 a 1999. Captam-se os mitos
diretores (tais como o mito do progresso e o mito da idade de ouro, próprios
do auge da extração e produção de scheelita
período que se estende de 1943 a 1958) explorando o imaginário
através do teste AT-10 sob a égide da Teoria Geral do Imaginário
proposta por Gilbert Durand em Les structures anthropologuiques de l'imaginaire.
Mostra-se como permanecem os elementos da memória nos dias atuais
dessa cidade, investigando a existência de locais e hábitos
caracterizados como de "ricos" e de "pobres" na sua estrutura urbana e
social. A repetição (reconstrução) de costumes
caracterizados de "ricos" e de "pobres" pelas pessoas que freqüentam
essas praças tem a ver com a extração e produção
da scheelita fenômeno denominado simbolismo da scheelita. Recife
não é uma aldeia: imaginário, cotidiano e modernidade
na década de 30 em Pernambuco Durante
o Estado Novo, no autoritarismo varguista (1937-1945), o uso do espaço
urbano do Recife, sofreu transformações, as quais tinham
como fio condutor transformar o espaço recifense em moderno, deixando
para trás o provincialismo e tudo aquilo que simbolizasse atraso.
Estas transformações atingiam o cotidiano da população
recifense, objetivando imprimir novos costumes, em que emergiam categorias
de progresso e modernidade. Na tentativa de apontar as "heresias" a serem
extirpadas, o Estado elegeu os marginalizados desta sociedade, delimitou
fronteiras no espaço urbano, apontando os que não deveriam
compartilhar deste espaço. Ao disciplinar os espaços urbanos,
o Estado criou fronteiras, instituindo identidades e cidadanias à
sociedade civil. Há uma circularidade de discursos que rechaçam
a expressão " Recife não é uma aldeia", e em contraponto
constroe-se no imaginário coletivo os parâmetros de modernidade
que levariam Recife a se tornar semelhante ao Rio de Janeiro e São
Paulo. O objetivo deste trabalho é desconstruir esta produção
de discursos, procurando entender as formas de produção
e suas significações, o que permitirá um olhar para
a cidade do Recife, procurando interpretar as diferentes formas de representações
que compõem o imaginário social, responsável, em
parte, pela tentativa de transformar aquele cotidiano urbano, apontado
como atrasado e retrógado, em um novo cotidiano eleito como expoente
máximo da modernidade. A
sedução da civilidade: o imaginário do mundo urbano
e rural na obra literária de Inglês de Sousa Este
trabalho pretende tecer algumas considerações sobre as imagens
e representações a respeito do urbano e rural na obra do
escritor realista-naturalista Inglês de Sousa. Mesmo uma leitura
superficial de sua obra revela que a ideologia da civilidade é
um tema que está presente em todos os seus romances e contos. Em
seus livros pode-se perceber que no imaginário dos habitantes dos
vilarejos amazônicos da segunda metade do século XIX existia
uma espécie de escala ou hierarquia de civilidade: os habitantes
da capital do Pará eram considerados, e se consideravam, superiores
- em modos, educação e cultura a todos os interioranos em
geral, enquanto que as cidades da hiterlândia rivalizavam entre
si para saber qual era a mais adiantada. Esse tipo de mentalidade era
uma decorrência da ideologia da civilidade que se consolidava na
Amazônia após a introdução da navegação
a vapor. A civilidade, ao enfatizar as vantagens e a superioridade do
modo de vida citadino, não somente diferenciava a cidade e o campo,
mas sobretudo valorizava o ambiente urbano em detrimento do que considerava
a rudeza da vida sertaneja. Estabeleceu-se então, ao mesmo no nível
cultural, uma dialética dos contrários separando o citadino
e o rural, o morador da cidade e o matuto.
Cidade do Madeira: uma estrada a ser percorrida As
cidades amazônicas foram formadas em seu primeiro momento sobre
as margens dos rios, a fim de atender os objetivos econômicos ligados
ao extrativisno vegetal e mineral. Issso não acontece em Porto
Velho, pois esta surge a partir da construção da Estrada
de Ferro Madeira Mamoré, representando o maior referencial da modernidade
na selva. Nos interessa demonstrar o tipo de mentalidade que foi trazida
pelos emigrantes que vieram para trabalhar na construção
da estrada, deixando impresso suas marcas culturais na paisagem da cidade.
Cidade e violência: elementos para o debate acerca da cidade perigosa Uma
nova concepção de cidade se impõe no Brasil a partir
dos primórdios da República, instaurando o chamado "urbanismo
modernista segregador" e inserindo a questão urbana entre as preocupações
nacionais. Um elemento complicador dessa problemática surgiu em
São Paulo no final da década de 1970, quando as questões
da violência e da criminalidade passaram a merecer atenção
especial, sempre associadas ao espaço urbano. Apoiada em teorias
sociológicas, tal associação definitiva toma a forma
do problemático conceito de violência urbana. O Brasil atravessa
então um longo período de superação do Regime
Militar, durante o qual novos atores sociais começaram a manifestar-se,
inclusive de forma violenta, como ocorreu nos quebra-quebra e saques do
início dos anos 80, em São Paulo. Neste trabalho, procura-se
avaliar o papel desempenhado pelos saques e quebra-quebras de 1983, representados
pela grande imprensa e pelas autoridades enquanto comprovadores do perigo
que a população pobre, habitante da periferia e das favelas,
continuariam a representar à atual ordem urbana dominante. Ícones
de uma cidade em expansão O
presente trabalho tem por objetivo atingir o imaginário da cidade
de Presidente Prudente, buscando entender sua memória e as representações
sociais responsáveis pela formação de sua identidade.A
partir do resgate histórico, tendo como principal fonte fotografias
antigas, é que nos propomos a realizar uma análise iconológica
e iconográfica de tais fontes, decifrando suas várias facetas
e destacando o imaginário social presente nestas imagens. O
imaginário do passado e o elo com o presente no universo da produção
cultural do povo da rua de jangada Através
da reconstituição da memória de velhos procuro buscar
nas comunidades de Brasília Teimosa, Pina, São José
e Afogados, elementos que me permitam recuperar a história da antiga
rua de jangada. Essa rua encontra-se vinculada ao cotidiano de pescadores.
Através de imagens captadas em vídeo, misturando documentário
e ficção, pretendo reaprender e ensinar a história
da cidade do Recife na comunidade de Brasília Teimosa e em outras
comunidades similares. |
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