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Grupo de História e Memória

Este é um grupo de adolescentes e jovens que integra as ações do Projeto Casarão - USP/ UFSCar, iniciado em outubro de 1999 com o objetivo de resgatar documentos (fotos, vídeos, folhetos, produções científicas, entre outros) da época do mutirão e resgatar a história oral contada pelos próprios moradores, técnicos que trabalharam no projeto e pessoas da comunidade ( padres, freiras, pessoas da região).

A proposta de resgatar a história do mutirão tem como objetivo final produzir uma exposição e organizar uma biblioteca para que este material seja preservado e permaneça de fácil acesso aos moradores. Através deste grupo, buscamos a conscientização dos adolescentes de uma luta que teve muito valor para seus pais e avós assim como teve valor histórico na conquistas do movimento de luta por moradia. Buscamos a formação de cidadãos cientes de um processo histórico do qual fazem parte e do qual podem dar continuidade.

Percebemos durante a nossa aproximação na comunidade que esta história e os registros dela estão fragmentados e dispersos em alguns locais e com algumas pessoas. Uma de nossas primeiras ações no grupo foi resgatar documentos que estavam guardados na "creche" do mutirão. Em meio ao pó e a bagunça encontramos algumas fotos e folhetos que serão restaurados e catalogados pelo grupo como acervo do mutirão.

Atualmente o grupo se reúne semanalmente e conta com a participação de cerca de 10 adolescentes e jovens e é coordenado por dois terapeutas ocupacionais. Os integrantes do grupo são filhos ou netos de mutirantes; alguns deles permaneciam na obra enquanto seus pais trabalhavam e também têm suas histórias e memórias para contar. Para resgatar a história oral dos mutirantes, o grupo preparou um roteiro de entrevista e selecionou moradores que constituem as lideranças do local ou são pessoas emblemáticas na luta pela moradia para serem entrevistados. As entrevistas estão sendo realizadas pelos integrantes do grupo organizados em duplas, com apoio de um técnico e uma pessoa responsável pelo registro das imagens.

Ao resgatar a sua própria história através dos relatos dos seus pais e avós, os adolescentes se descobrem como parte deste processo. As naturalizações do cotidiano, como chamar o bloco 1 de alojamento, passam a ser contextualizadas dentro de um processo histórico e passam a ser questionadas pelo grupo. Como proposta de pesquisa, pretendo descrever o processo do grupo apresentando seus resultados e desdobramentos e discutir a utilização da pesquisa como forma de intervenção e transformação. Para isso, estão sendo feitas anotações sistemáticas dos grupos e registros audiovisuais das entrevistas.

Levantamento bibliografico

ABREU, Alzira Alves de [et al.] Entre-vistas : abordagens e usos da história oral . 1a. ed., Rio de Janeiro, RJ : Editora da Fundação Getulio Vargas, Série Ciências Sociais, 1994.

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MEIHY, José Carlos Sebe Bom Manual de historia oral. São Paulo : Loyola, 1996.

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POSSAS, Lidia Maria Vianna Mulheres, trens e trilhos: beirando uma história do impossível - sociedade brasileira nos anos 30-40. Tese Doutorado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo, 1999. Resgate: revista interdisciplinar de cultura /Centro de Memória, Universidade Estadual de Campinas. Campinas ,SP : Unicamp, Centro de Memória, 1990

SAWAIA, B.B. Pesquisa ação participante - a praxis cientifica com vocação política. In: Enfoque, v.17, n.3 , p.60, São Paulo, set. 1989.

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THOMPSON, Paul Voz do passado: história oral. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1992. (Oliveira, Lolio Lourenco, trad;)

LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

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BONDUKI, N. Habitação e autogestão :construindo territórios de utopia. Rio de Janeiro : Fase, 1992.

BONDUKI, Nabil Arquitetura e habitação social em São Paulo 1989- 1992. São Paulo : Usp / Eesc, 1993.

BONDUKI, N. Momento para repensar a cidade. In: Jornal do Bairo da Freguesia do Ó, São Paulo, p. 2-I, mar./abr., 1999.

BOTELHO, Ester Zita Fenley População de baixa renda, problema habitacional e participação: um estudo psicossocial. Dissertação (Mestrado), São Paulo, 1982.

BRANT, V. C. São Paulo :trabalhar e viver. São Paulo : Brasiliense/Comissão Justiça e Paz, 1989. GOHN, Maria da Gloria Marcondes Lutas pela moradia popular em São Paulo. Tese (livre-docência) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 1987.

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KOWARICK, L.F.F São Paulo , crise e mudança. São Paulo : Brasiliense, 1990.

KOWARICK, L.F.F Trabalho e vadiagem :a origem do trabalho livre no brasil. 2 ed. São Paulo : Paz e Terra, 1994.

KOWARICK, L.F.F Integração e desintegração de populações marginais.

LEMOS, A I G Mulher , moradia e movimentos sociais urbanos na apropriação do espaço metropolitano de São Paulo. In: Boletim de Geografia Teoretica, Rio Claro, v.22, n.43-4, p.288-91, 1992.

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VERAS, M. P. Questão da habitação em São Paulo: políticas públicas e lutas sociais urbanas. In: Sociedade e Território, v.2 , n.6 , p.8-20, jan. 1988. 24/03

 

Relatório - Grupo de história

Participantes: Marcelo, Sabrina, Ridirene, Renata, Marcela, Renata Braz, Rosimeire, Vanessa.

Tema: discussão das entrevistas anteriores, discussão para as próximas entrevistas: alguns aspectos que precisam ser trabalhados e programação para as próximas semanas

Discussão: Na hora marcada para o grupo, a única pessoa que compareceu foi o Marcelo. Comunicamos as meninas e elas atrasaram cerca de 40 minutos, situação que vem se repetindo há algum tempo. O primeiro ponto que abordamos foi esta questão, pois daqui em diante estes atrasos tornarão inviável a continuidade do grupo pois em seguida teremos a capoeira. Refizemos o contrato de horário, com a possibilidade de mudança porém o grupo decidiu manter o horário.
Começamos o grupo retomando a entrevista realizada por Marcela e Renata Braz. O restante do grupo, exceto Marcelo, tiveram uma atitude "terrorista" em relação às meninas, tirando sarro do que diziam, insistindo para que falassem alto, etc. Renata e Marcela ficaram um pouco intimidadas e nós tivemos que intervir nesta dinâmica. Marcela e Renata diziam ter ficado com um pouco de vergonha por causa da câmera mas acharam muito legal ter entrevistado a D. Salomé.
Levantamos os pontos a serem discutidos para as próximas entrevistas: a presença da Gisele e da câmera; o uso do roteiro; e a presença das crianças nas entrevistas e no grupo.
Em relação à Gisele, discutimos que ela participaria de vez em quando do nosso grupo para registrar e para ficar mais integrada do nosso processo e explicamos a sua participação no projeto como um todo. O grupo parece aceitar bem e muitos se empolgam com o uso da filmadora.
Em relação ao roteiro de entrevistas reforçamos que não é necessário seguir aquelas perguntas, pois elas são só uma base para a entrevista. Que devíamos prestar muita atenção na fala dos entrevistados e a partir dela poderiam surgir outras perguntas, pois cada um tem uma característica peculiar. Discutimos também a necessidade de tentar deixar o entrevistado a vontade, e que seria mais interessante iniciar a entrevista pedindo para que a pessoa se apresente e não já com uma pergunta direta.
Num outro momento, discutimos a presença das crianças nas entrevistas e no próprio grupo. Geralmente são os próprios irmãos das integrantes do grupo que permanecem no salão ou que as seguem para as entrevistas. A presença delas torna praticamente inviável a realização da entrevista e dispersa muito o grupo. O que discutimos com as adolescentes é a necessidade delas colocarem um limite também, pois aquele é o espaço para elas, não para as crianças. Isto envolve uma questão bastante complexa dentro desta comunidade, que é a cultura de que os irmãos mais velhos têm o dever de cuidar dos mais novos. É a cultura de que crianças cuidam de outras crianças e isto é natural. Para as adolescentes conseguirem seu espaço será preciso que elas tentem uma negociação com seus pais assim como os técnicos também.

Dinâmica: As meninas integrantes do grupo atrasaram bastante para o início e chegaram em bando.
Parece uma atitude hostil conosco pois agem como se nada tivesse acontecido. O grupo se dispersou em muitos momentos: um pouco pela interferência das crianças e outro pelas próprias adolescentes que criam brincadeiras entre si. Parece existir uma separação entre as mais velhas e as mais novas (Renata Braz e Marcela, de 10 e 11 anos). As meninas mais velhas ficam tirando sarro e intimidando as menores. Renata parece ser a porta-voz do grupo, por parecer mais séria e ter maior credibilidade conosco.
Renata e Ridirene parecem ser o contraponto uma da outra, quando o assunto é música, dança, opções de vida em geral, Ridirene demonstra ser o que a mídia passa (Axé, pagode, dança,...) e a Renata enfrenta e critica as opções da irmã.

Propostas para os próximos encontros:

  • entrevista marcada para 01/04/00 com Yone; dupla: Renata e Vanessa.
  • Propostas:
    • pensar um dia para terminar de assistir a fita do mutirão;
    • propor a catalogação dos materiais
    • ver como estão as transcrições e reforçar o cuidado com o material
 
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