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Projeto
Casarão - Contato: Débora - email: dmnlgalvani@uol.com.br
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Terapia Ocupacional e a atenção a Crianças e Adolescentes É preciso superar a concepção de terapia ocupacional como profissional exclusivamente da saúde, seu paradigma de fundação que vincula exclusivamente a Terapia Ocupacional à mediação saúde-doença.
Uma nova configuração da questão social, ressaltada por Castel, tem
definido um outro tipo de demanda. Na década de 80 e de 90, a vulnerabilidade
decorrente das transformações no mundo do trabalho tem levado à degradação
das relações de trabalho e dos sistemas de proteção associados. Este
processo de transformação das regras sociais tem criado "inválidos conjunturais"(Jacques
Donzelot, 1994) ou sobrantes (Castel, 1995) que desenvolvem "déficit
de integração" (trabalho, moradia, educação, cultura) e sofrem desqualificação,
invalidação sociais, dissolução de vínculos e até ameaças de exclusão
com tratamento discriminatório explícitos.
Contra estes processos a sociedade civil organizada (entendida aqui em sentido abrangente referido a todos aqueles que não sendo parte do estatal e do oficial prestam serviços públicos - movimentos populares, igrejas, sindicatos, associações, enfim, as organizações não-governamentais e os movimentos sociais) se opõe. Este trabalho pressupõe que se aceite o desafio do território. Isto é, supõe um espaço geográfico e imaginário, construído historicamente por meio relações políticas, socio-econômicas e culturais. O território absorve em si, os processos, as formas e os sentidos das relações entre os homens e destes com a natureza. Nele coexistem e nele constroem-se diferentes maneiras de existir, sonhar, viver, trabalhar, de realizar trocas sociais e nele se travam os conflitos e confrontos (Oliver & Barros, 1999). O conceito de território é complexo e recoberto de simbolização, ligando a questão da alteridade/identidade ao espaço em várias escalas: aplica-se à casa, aos agrupamentos de casas, às regras de residência, ao bairro, ao solo etc. Desta forma, assumir a dimensão territorial significa redefinir uma série de conceitos que informam as práticas assistenciais. Na terapia ocupacional abrir-se para o território significa uma abertura para a complexidade que representa as relações sociais, significa abrir-se para o Outro. Implica, portanto, no:
Se esta passagem não se processa não seria possível falar em Terapia Ocupacional voltada para a questão social, pois para isto é preciso romper o discurso de saúde restrito ao modelo médico-psicológico. Assim, sem perder de vista que a luta contra a exclusão implica na luta contra a desregulamentação do trabalho e pela distribuição da riqueza; sem negligenciar o fato de que as ações precisam estar inseridas num processo político consciente, acredito que por sua história, pelo acúmulo de discussões construídas na crítica às instituições de segregação e sobretudo pelo conhecimento da mediação da atividade, a TO poderia contribuir em campos de intervenção que tem permanecido distantes de suas preocupações.
Ao analisarmos as estratégias e os recursos adotados para a promoção
da inserção, da inclusão e da participação dos diferentes grupos sociais
com os quais se trabalha, verificamos que as atividades (artesanal,
artística, cultural, geradora de renda) tornam-se o eixo organizador
da intervenção. A concepção de atividades absorve da psicologia a dimensão inconsciente mas torna-se permeada de historicidade, enquanto instrumento para a emancipação é nutrido pela dimensão sócio-política e cultural. Trata-se de conceito inacabado, indicial, sendo universal de um lado - por ser transituacional, tem, por outro lado, significados distintos em cada situação particular e só ganha sentido no contexto de intercâmbio e das práticas em que é realizada. A atividade torna-se conceito situado que adquire sentido no imbricamento de um caleidoscópio de interpretações: a atividade é percebida, vivida e atuada por cada um de seus atores (a pessoa, o terapeuta, o grupo mediato, a cultura e os valores buscados) e é modificada pela intenção de transformação presente nos objetivos do programa em que se inscreve. É neste sentido, que o conceito de atividades em terapia ocupacional social é um constructo, uma mediação de relações múltiplas mas situada no tempo e no espaço culturais, é um conceito aberto pois incorpora em si essa incompletude, constituindo-se pelo movimento em processo de comunicação e em linguagem (verbal, gestual, sonora, ou seja, icônica, indicial e simbólica). A atividade só possui significados atribuídos mas é composta de uma matéria irredutível que se empresta à significação mas que impõem condição para sua atuação. As atividades é objeto que se constrói na comunicação, na experiência e na situação vivida segundo a história e segundo as práticas sociais, os valores culturais que cada pessoa/ grupo social realiza de forma particular. Tudo é atividade, isto é, toda ação, toda praxis, cotidianas ou não, tem a possibilidade de constituir-se em atividades na terapia ocupacional. Por isto é ao mesmo tempo singular por que situada em sua concreção e plural, podendo configurar-se como instrumento de emancipação ou de alienação. Os objetivos e os processos escolhidos para obtê-los é que poderão caracterizar as atividades como promotoras de emancipação e de cidadania. É neste desafio que em 1998 foi criado o Projeto Metuia. Núcleo de estudos, formação e ações pela cidadania de crianças, adolescentes e adultos em processos de ruptura das redes sociais de suporte. |
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